segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Hedonismo


E ser não for, por qualquer motivo,
Seria como o outono para o cego
Como minha música para os seus ouvidos
Como a poesia para alguém que nunca vai ler minha biografia

Você ama as cores, eu adoro escrever
Me arrependo do que fiz e você do que não fez
Eu sou cristão, você pagão
Eu preciso de silêncio e você da explosão.

Eu gosto do amor e você do sexo.
Eu preciso de carinho e você do hedonismo.
Você se mostra, eu me escondo
Eu rego a planta, você deixa morrer

Você gosta de cigarro, eu gosto do cheio que ele deixa em você
Você curte uma praia, eu rezo para chover
Eu sempre acreditei nas renuncias, você só no prazer
Eu vou para porta da sua casa, você fingi não me ver

Você gosta do inferno, eu nasci para o paraíso
Eu tenho medo, você encara.
É do tipo que gosta das metades, para mim só me serve se for inteiro.
Eu falo do contexto, você conta um pretexto

Sua vida é feita pela boemia, já a minha é cheia de teoria
Você quer abraçar o mundo, eu ficaria contente só em abraçar você.
Eu chego de mansinho, você nem pede licença.
Eu quero que o tempo volte, você quer um passaporte

Eu já comi o pão que o diabo amassou você já viveu intensas horas de amor
Você tem uma vida cigana, sua balada é minha cama
Os opostos se atraem na teoria, para mim está história está virando utopia
E quando chega a ventania os meus olhos desatinam para essa desarmonia.

Confesso, o oposto de rico é pobre, do perigo é sorte,
de magro é forte, do sul é norte, do amor é morte.
De adulto é bebê, o contrário de mim, é você...
E que meus olhos, não tem jeito, só te olham ao avesso.

Jamille C Dias

Um comentário:

Rochelly F. disse...

LINNNNNNNNNNNNNNNNDO.

um dos melhores textos!