Clarice Lispector: Nelson, qual é a coisa mais importante do mundo?
Nelson Rodrigues: É o amor.
Clarice Lispector: Qual é a coisa mais importante para uma pessoa como indivíduo?
Nelson Rodrigues: É a solidão.
Clarice Lispector: O que é o amor, Nelson?
Nelson Rodrigues: Eu sou um romântico num sentido quase caricatural.
Acho que todo amor é eterno e, se acaba, não era amor.
Para mim, amor continua além da vida e além da morte.
Digo isso e sinto que se insinua nas minhas palavras um ridículo irresistível,
mas vivo a confessar que o ridículo é uma das minhas dimensões mais válidas [...]
Não estou me referindo ao sexo. O sexo sem amor é uma cristalina indignidade.
Sempre que o homem ou a mulher deseja sem amor se torna abjeto.
Uma mulher não tem o direito de se despir sem amor.
Mesmo o biquíni, mesmo o decote, e repito, nenhuma forma de impudor é lícita se a criatura não ama. Se a criatura não ama, não pode usar biquíni, ousar certos decotes ou qualquer outra forma de impudor.
Clarice Lispector – Entrevistas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007, p. 30/32
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