quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ficam.


Vão ser apenas lembranças.
Tudo não vai passar de fotografias, de vídeos, de memórias.
Tudo vai ser parte de um passado. Todas as festas, todos os risos, todos os acontecimentos.
Um dia o pão vai amanhecer dormido, a carne vai ser velha...
Um dia as pessoas não serão mais novidades, nem os bares, nem as casas, nem as festas.
Exatamente tudo será normal.
Um dia as novidades acabaram, o whisky perderá o seu valor, a droga não fará mais efeito e os beijos não terão sentido.
Aí chega um dia que qualquer casa não serve, qualquer abraço não basta, qualquer sorriso não te faz melhor, qualquer beijo não te atrai, qualquer pessoa não resolve.
Chega um dia que você se prende a alguém como nunca havia acontecido.
Chega um dia que tem que ser aquela pessoa.
Chega um dia que você acorda e sabe que tem tudo e no mesmo instante descobre que esse tudo, construído por tanto tempo, é nada.
Seu celular vai parar de tocar tantas vezes ao dia e quando tocar será sua mãe.
As mensagens recebidas serão curtas e com noticias úteis.
Não terá trinta pessoas na sua lista de espera, terá apenas uma. A suficiente. A necessária.
Os textos que você escreve vão parecer chatos e apaixonados, porém os mais verdadeiros.
Hoje ninguém se dá conta do futuro, viver o hoje é mais prazeroso.
Mas o amanhã existe ou pelo menos deveria existir.

Nos cabe escolher quem vai ficar para o amanhã.
É como uma festa dada em casa, você convida vários amigos, todos vem, a festa é ótima, mas só alguns ficam para dormir.
Os bons sempre ficam.

Jamille C Dias

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