quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

a metáfora é boa


Eu acredito que todos já passaram por um momento de mutações, de recomeços, de transformações. Todos sem distinções já viveram aquele momento de querer aprender a andar de bicicleta custe o que custar.

Então, é mais ou menos por aí... Aprender a andar de bicicleta sem a rodinha para te apoiar. Aprender a fazer manobra nessa bicicleta sem ninguém te segurando atrás.

Você ganha um presente e quer desfrutar dele por completo.

Todo mundo quando ia aprender a andar, caiu, se machucou, ralou o joelho... Tudo isso é normal, e, diga-se de passagem, tem gente que tem marcas até hoje dessas quedas de bicicleta.

Ela pode ser, sim, mesmo uma possível bicicleta. Mas, em outros momentos ela pode ser a nossa história de vida, a nossa biografia, aquilo que contaremos para os nossos jovens no futuro.

E nisso, você pode até mostrar os machucados, contar como foi às quedas e também ensinar a esses jovens não caírem como caímos, nos dias de hoje.

Nunca diria que a bicicleta é a vida, porque a vida é muito mais que isso. Contudo, acredito que a metáfora é boa. Existem pessoas querendo segurar a bicicleta para você andar, brincar, até você aprender a andar sozinho. E, também, existem as pedras que com qualquer descuidado você “tubufe” no chão.

Mas, todos, sem distinções, caíram de bicicleta. E aprenderam a andar sobre elas. A vida é dessa forma. Custe o que custar você aprende a viver e a sobreviver, muitas vezes caindo.

As quedas são certas, virão. Mas, quem aprender a andar de bicicleta nunca mais esquece. São quedas que valeram a pena.

James Crook disse certa vez: Um homem que quer reger a orquestra precisa dar as costas à platéia.

Quando você quer andar de bicicleta tem a platéia te vendo, alguns torcendo por você e outros querendo sorrir da queda. Nesse momento precisamos dar as costas à platéia esquecer os aplausos, que sempre vêem, esquecer os espectadores, e reger essa orquestra de forma que só você escute o som e o real significado de aprender a andar de bicicleta em meios a todas as quedas.

Jamille C, Dias - aquela fé que você deposita em você e só.


Mágico Teatro

Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser

a fé que você deposita em você e só

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais

Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar


foi lindo, algumas frases que ficaram na cabeça.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Irônico


Um homem velho fez 98 anos
Ganhou na loteria e morreu no dia seguinte
É uma mosca preta em seu Chardonnay
É o perdão no corredor da morte, 2 minutos atrasado
Isso é irônico... não acha?

É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isto acontece

O Sr. Precavido estava com medo de voar
Ele arrumou sua mala e deu um beijo de adeus em seus filhos
Ele esperou a vida toda para pegar aquele vôo
E enquanto o avião caía, ele pensou
"Bem, isso não é bom..."
Isso é irônico... você não acha?

É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isto acontece

Bem, a vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
Quando você pensa que tudo está O.K. e tudo está indo bem
E a vida tem um jeito engraçado de te ajudar quando
Quando você pensa que tudo está dando errado e tudo explode
na sua cara

Um engarrafamento de trânsito quando você já está atrasado
Um sinal de "proibido fumar" no seu intervalo para o cigarro
É como dez mil colheres quando tudo o que você precisa é de uma faca
É encontrar o homem dos meus sonhos
E então encontrar a linda esposa dele
E isso é irônico... você não acha?
Um pouco irônico demais... eu acho...

É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isto acontece

A vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
A vida tem um jeito realmente engraçado de te ajudar
de te ajudar

Morissette

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coisas que não se divide com ninguém:


o último gole
um pedaço de chocolate
a última bolacha
os segredos
o quarto
a escova de dente
a última tala de fósforo
a alma
a ponta do travesseiro
a ultima chama

Eu divido com você.

Jamille C. Dias

Antes de dormir, queria te dizer...



Não sei explicar o quanto eu gosto das suas palavras, o quanto você me compreende mais que eu mesma, o tanto que você é, que me faz bem.

Um minuto, só mais uma "coisinha": simples, tranquilo, bem, seu, meu, nosso, junto, hoje, amanhã e depois, hoje amanhã e depois...

-Para que a ligação não acabe.
Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações.
Vinícius de Moraes

"Você bem que podia me aparecer, nesses mesmos lugares, nas noites, nos bares, onde anda você?!"
Vinícius de Moraes

vício implícito

meu olhar se mirando em seu olhar
se eu pegar na mão, te beijarei
te beijarei
não consigo mais de vontade de ficar
o que há entre eu e você
é raro
é na falta de ar do seu olhar
que o sufoco crescerá eu sei,
ora se sei!
não encontro mais nada pra me segurartudo poderá acontecer
é claro!
tempestade de negras e louras,
morenas mouras
todas elas a me voduzar
desnudas bailam nas ruas
e se vão nas luas
do reflexo que sai da luz do seu olhar

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... isto é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar..... isto é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio. Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... isto é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado..... isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto !

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.

Francisco Buarque de Holanda, 2008

O som do silêncio.


Conheci pessoas nessa vida
que despertaram, em mim, meu melhor...
Meu carinho, meu afeto, meu amor,
minha atenção e meu coração.

Pessoas, nem sempre no plural,
pode ser sim, uma só, pode sim.
Pessoas que me fizeram ser melhor,
querer ser melhor, querer ser atenciosa,
ser dengosa, ser mais eu, ser mais menina,

Pessoas que por elas eu seria
mesmo uma boa pessoa...
Uma boa menina, uma boa mulher,
por elas eu seria qualquer coisa
que fosse necessário eu ser.

Por elas eu mudaria de cidade, de estado,
de estado de espirito,
de estado de compromisso,
de estado tanto tempo longe, mudaria.

Elas despertaram em mim
a minha parte melhor,
a parte que eu mais gosto em mim mesma
Aquela que eu olho no espelho
e me sento feliz por ver aquilo em mim

Meu interior, meu aconchego,
meu verdadeiro valor
Elas me fizeram melhor,
me fizeram mais humana, mas real
Me fizeram ser eu.

Eu nunca falei isso à essas pessoas
eu sentia isso, refletia isso,
falava isso com minhas ações,
minhas palavras sempre foi o silêncio,
elas nunca precisam de som.

Jamille C. Dias

Para você construir. E reconstruir, se for preciso.



Você pode construir.
Edificar um bom sentimento e compartilhar com alguém.
Dar forma a um bom pensamento que você queira dizer que outra pessoa que tem.
Você pode desejar algo bom e moldar.
E se tudo isso não ficou ainda do seu jeito...
Você pode reconstruir.
Começar de novo.
Dar uma nova cor e novos elementos para compor seus sentimentos.
Que seja este o desenho do seu ano.

Marco


E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Índios - Legião Urbana

domingo, 12 de dezembro de 2010

World

If i tell the world,
I'll never say enough,
Cause it was not said to you,
And thats exactly what i need to do.
Adele

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Temperamento.

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Clarice Lispector.

=)

" Embora o meu orgulho não seja fácil de perturbar
Você conseguiu me derrubar quando me chutou pra escanteio
(...)
"Eu não consigo funcionar direito com você perto de mim
Mesmo que ele não represente nada nos meus planos
Isso só serve pra intimidar minhas lágrimas fúteis
Não estou acostumada com isso, Eu observo, eu não persigo.
E agora estou presa com as conseqüências, esfregadas na minha cara
E o melodrama do meu dia de repente acaba
Isso supera sua rejeição e mostra
Uma simples atração que reflete de volta para mim
E no final das contas não estou tão afim de você assim como parece
Talvez se eu me concentrasse, acabaria me esquecendo

Apesar da minha frustração pela maneira como ele pensa
Eu sabia a verdade, que quando ela viesse faria esse estrago
Pelo você sente atração por mim, e isso eu não esperava
Não imaginei que você pegaria meu telefone e etc
Mas nunca me odiei tanto por causa da minha idade."

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Em Conquista dia 21/12.

Fragmentos de Caio.


"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra."

"Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraco para entrar."

"Será que, à medida que você vai vivendo, andando, viajando, vai ficando cada vez mais estrangeiro? Deve haver um porto."

"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."

"Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos."

"É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado."

"Quem diria que viver ia dar nisso?"

"Mas sempre me pergunto por que, raios, a gente tem que partir. Voltar, depois, quase impossível."

"Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável."

"Fiquei tão só, aos poucos. Fui afastando essas gentes assim menores, e não ficaram muitas outras. Às vezes, nos fins de semana principalmente, tiro o fone do gancho e escuto, para ver se não foi cortado. Não foi."


"Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo por que digo 'mais', se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro,fora."

"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra."

"A gente se apertou um contra o outro. A gente queria ficar apertado assim porque nos completávamos desse jeito, o corpo de um sendo a metade perdida do corpo do outro."



"Importante é a luz, mesmo quando consome. A cinza é mais digna que a matéria intacta".
"Tudo já passou e minha vida não passa de um ontem não resolvido"



"Teu único apoio será a mão estendida que, passo a passo, raciocinas com penosa lucidez, através de cada palavra estarás quem sabe afastando pra sempre."



"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo."



"Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido"



"E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda"



"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim"



"O que tem me mantido vivo hoje é a ilusão ou a esperança dessa coisa, "esse lugar confuso", o Amor um dia. E de repente te proíbem isso. Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida, impedida"



"Tenho dias lindos, mesmo quietinhos"



"O tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato"



"Não é verdade que as pessoas se repitam. O que se repetem são as situações"



"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado"



"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva"



"...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro"



"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir o nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar."



"Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas."



"Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia."
Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sins

Eu nunca faço escolhas, eu quero sempre tudo
Eu digo sempre sim
Eu não me confundo
Eu vou logo aceitando, eu peço sempre muito
Eu quero ver o fundo
Eu não vacilo
O tempo todo eu mudo, eu não duvido
Eu nunca pego restos
Eu não decido, eu quero...
Para estar em movimento,
invento alvos Eu finjo que estou perto
Eu só minto pra mim mesmo
Atrás de freqüências, potências, clarezas
Alcei novas retas, alcei novas rotas
Por onde pulsa a minha pressa
Eu não duvido
E sim eu digo
E sim eu quero
E sins, eu quero...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Ela.


Podemos tirar o nariz de palhaço e construir algo real com nossas escolhas.

Lya Luft

Tanta gente bandida vivendo feito rei, e tanta gente boa crucificada quando quer fazer o bem e consertar o mal.

Lya Luft

Se eu faço uma coisa errada e ninguém vê, ela continua sendo errada?

Lya Luft

Não dês valor maior ao meu silêncio;
E se leres recados numa folha branca,
Não creias também: é preciso encostar
Teus lábios nos meus para ouvir.

Lya Luft

... acho que a vida é um processo... É como subir uma montanha. Mesmo que no fim não se esteja tão forte fisicamente, a paisagem visualizada é melhor.
Lya Luft

Meu coração se transforma a cada experiência. Mas ainda palpita, sobressalta e se assusta. Ainda é vulnerável como quando eu tinha dez anos.

Lya Luft

Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega.

Lya Luft

Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom presságio.

Lya Luft

A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério.

Lya Luft

Eu sabia que era preciso tempo. Cada perda tem sua hora de acabar, cada morto seu prazo de partir, e não depende muito da vontade da gente

Lya Luft

Não saber é o que torna nossa vida possível.

Lya Luft

Deve ser o nosso jeito de sobreviver – não comendo lixo concreto, mas engolindo esse lixo moral e fingindo que está tudo bem.

Lya Luft

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

"Certo dia me perguntaram:
Porque você se apaixonou?
Eu respondi: Não sei.
E talvez continue não sabendo."

Caio

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Tem gente que jura que não volta mais
Mas jura sabendo que não é capaz
Tem gente que escreve até poesia
E rima saudade com hipocrisia"

"Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você..."

terça-feira, 30 de novembro de 2010


Muitas motanhas irei alcançar;

Mas, nenhuma vai ser tão alta

que não vou poder te ver.

domingo, 28 de novembro de 2010

Vander Lee


"Pra esse fogo que queima tão lento
Vento, vento, vento"

"Por isso não se espante
Se numa noite bela
Aquela estrela brilhante
Em sua janela bater"

"Você é meu farol
Meu talismã, meu sol
Meu dia, meu dial"

"São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão"

"Tomo banho, ponho a roupa,
Tiro a roupa, ponho outra
Bem mais fácil de tirar"

"Ela finge que não, mas no seu coração
ainda sou artilheiro"

"Sou meio triste e acho graça
Tem tanta gente triste que disfarça
Caminho ao seu lado sem falar
Mas canto uma canção pra te alegrar"

"Olhe
Não venha me mostrar o que você não vê
Não venha me provar o que você não crê
A estrada é pra caminhar
Não perca o resto do tempo que ainda te resta"

"Tentando ouvir o som do próprio grito
E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa"

"Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair chegar lá fora e encontrar alguém
Que não me dissesse nada
Não me perguntasse nada também"

"Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho"

"Mas sei que o meu coração
Tá batendo mais forte
Porque você chegou"

"Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido"

"Estava ali, me confundi
Pensei que fosse o céu
O azul do mar me chamou
E eu pulei de roupa e de chapéu"

"Não me peça pra ficar
Só porque você não quer me acompanhar
Vem, me tire pra dançar
Essa dança não é fácil de se acompanhar"

Vander Lee

quinta-feira, 25 de novembro de 2010


"É preciso aprender voar sozinho antes de dividir o vôo com outro alguém."


sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Só te encontrar, não me basta!
Agora quero ir com você, compreende?
Na vida...


Bom dia!


Imagina só
Que o teu cão amigo
Só sabe o teu cheiro
Quando estás comigo

chico

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ele me conheceu e só escreve sobre mim.

Mas, sabe o que é?


Eu sei muito bem o que eu sou
O que eu quero
O que eu posso, onde vou...
Eu sei

Sei também o que eu não sou,
o que não faço,
onde eu não vou
Eu sei, sou eu...
Sei o que não sou

O que eu escuto sobre mim
não levo a sério,
tenho espelho no banheiro...tenho teto
Não sei jogar sinuca, mas
confio no meu taco

As minhas roupas não me definem
Meu cartão de visita
tem meu nome, endereço e sobrenome
Mas, não me mostra. Ele me esconde

Onde vou, o que quero,
o que sou... Eu sei
Bem sei. Eu me conheço,
não preciso de conceitos

O rádio pode até anunciar,
mas sou eu quem faz a propaganda rolar...
Os jornais levam todas as notícias,
mas, sou eu que crios essas entrevistas.

Entrevistas que sem perguntas
eu treino e respondo seguindo as pistas...
Eu sei, bem sei,
A estrada que devo seguir.

Eu sei, muito bem, o que sou...
Sei também que erro,
mas, as vezes no erro
eu acerto, e como acerto

Eu também sei falar palavrão,
sei ser sem educação,
Sei fazer joguinho,
Mas, prefiro ser quem sou...

Quem sabe um dia aprendo
a jogar esse jogo sujo
Esse modo de amar sem coração
Quem sabe um dia

Mas, sabe o que é?
Eu não quero aprender não.
Vou sempre agir com o coração,
mesmo perdendo a razão

Eu sei o quero e não quero
Sei onde vou e onde fico
E vamos combinar, bem lá no fundo,
você sabe muito bem

Aquilo tudo que eu sei também
Eu sou, eu sei quem sou
Sou assim...
Isso basta pra mim.

Jamille C Dias

Xeque-mate


É tudo muito estranho por aí a fora.
Algo que não é desse mundo "de meu Deus".
No caminho, encontro, pessoas vividas, que se acham espertas,
pessoas que sabem exatamente o que você quer escutar

Pessoas cruéis que pisam no lugar certo, na hora certa,
gente que lida com a vida como um jogo de xadrez
Cada peça em seu lugar,
esperando só o momento do jogo começar;

Elas pensam que você, só por não saber jogar,
não sabe diferenciar rei, de dama, branco, de preto,
gente, de caráter, pessoas, de respeito,
ser humano, de cavalo, esses mesmos do tabuleiro.

É tudo um jogo
Existe um rei, uma dama...
Alguns cavalos
E dois jogadores, um querendo derrubar o outro.

Pode passar por cima até dos bispos
Para chegar às torres, o lugar mais alto, o destino.
Fazendo das pessoas, peões, bonecos, marionetes.
Tudo isso para ser... Ser o que?

Tem muita gente tentando ser dama.
Muita gente querendo ser rei.
Muita gente tentando ser gente,
e nem isso... eu bem sei.

Ah, eu? Eu estou de cima
Não faço parte.
Sou espectadora...
Nem jogar xadrez eu sei

Fico aqui sentada na arquibancada,
saiu, dou uma volta,
brinco um pouco com a areia do mar,
finjo que sei estudar,
vou trabalhar,
e olho, observo, escuto...

E volto.

Vejo o rei passando por cima da dama,
cavalo passando por cima do bispo
Gente se achando o próprio tabuleiro de xadrez
E eu? Eu fico rindo... Achando graça.

Fico aqui assistindo tudo de camarote...
Mas, só assisto quando não tenho compromisso
Esperando a hora do verdadeiro xeque-mate
Aguardando o jogo realmente começar

Eu não sei jogar,
Mas se quiser?
Entro na roda para
fazer esse xeque-mate 'dançar'

Ah, se entro?
Entro e fico
Depois eu saiu
isso não é para o meu bico.

Jamille C Dias

Vinícius de Moraes já dizia...


A mulher de Leão
Brilha na escuridão.
A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mate e come.
A mulher de Leão não tem perdão.
As mulheres de Leão
Leoas são.
Poeta, operário, capitão
Cuidado com a mulher de Leão!
São ciumentas e antagônicas
Solares e dominicais
igneas, áureas e sadônicas
E muito, muito liberais.

Um amigo me falou...

"Ninguém quer a menina boazinha,
que gosta de escrever,
ler e adora ver filmes na Tv.

Ninguém quer a boa moça que é viciada em Chico Buarque.
A menina de família,
que reza antes de dormir, que trabalha,
que estuda, que se esforça para ser responsável.

Isso nos desejamos para os outros..

O que nos queremos para nos é
a pior, a sem coração, a comprometida,
a louca, viciada,
a irresponsável, sem relógio,
sem compromisso, sem educação...

A sem tempo, sem hora para chegar,
a que é indisponível...
A sem nada e com tudo ao mesmo tempo.
É essa mesmo que você está pensando.

A boazinha deixamos para os amigos,
afinal, eles merecem mais que agente.

Então, você trate de mudar."

Um dia, pá!


'Girassol leva tempo se preparando, cresce devagar, enfrentando mil inimigos,
formigas vorazes, caracóis do mal, ventos destruidores. Depois de meses, um dia, pá! Lá está o botãozinho todo catita, parece que já vai abrir'

sábado, 13 de novembro de 2010

Retalhos

Se a gente não fosse
feita para ser feliz
Deus não teria caprichado
tanto nos detalhes.
Ana Jácomo

“A vida fica muito mais fácil
se a gente sabe
onde estão os beijos de que precisamos.”
Mário Quintana

"Rezar muito. E ter fé. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus."
Guimarães Rosa

“Uma certa pressa de ser feliz e não perder um minuto se quer.” Arthur Gouveia

"Se eu gosto de poesia? - Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. Acho que a poesia está contida nisso tudo."
Carlos Drummond de Andrade

“Não sei fazer 'jogo social' até saberia, mas não me interessa, tenho preguiça.”

Logo vi...


“Peixes, logo vi, regente Netuno, ah Netuno, cuidado com as ilusões mocinha, profundas e enganosas feito o mar que é teu elemento.” CFA

Enfim



Então,

Pessoal...
Tem um tempinho que não apareço por aqui...
e querem saber o motivo?

TEMPO. Estou simplismente sem tempo para nadaa!

Trabalho novo, coisas novas, boas coisas.
Sonhos realizados!!
Enfim, estou numa agencia de publicidade (meu grande sonho).

...

E pouco a pouco vou atualizando aqui.

Neste momento estou olhando para o litoral "salvadoense", rs

Vamos nos falando!!!!



"(...) até que um dia, por astúcia ou acaso, depois de quase todos os enganos, ela descobriu a porta do labirinto. (...) nada de ir tateando os muros como um cego. Nada de muros. Seus passos tinham - enfim! – a liberdade de traçar seus próprios labirintos."


Mário Quintana

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sempre ouvir dizer...



Que a vida melhora
quando a morte bate a porta
Se você não morreu naquele acidente
Se sobreviveu e nasceu de novo
depois daquele dia doroloso

Ouvir dizer...
Que o mundo começa naquela hora
Os passarinhos que só choravam
Agora cantam de outra forma
As nuvens que eram cinzas
agora são azuis da cor do céu

Ouvir dizer...
Que você começa a dar valor
a quem realmente tem valor
Que você começa se achegar
e querer ficar
Na casa daqueles que tem algo para ensinar

Ouvir dizer...
Que o mundo até que era bom,
mas, que só agora ficou melhor.
É até estranho, mas, tem gente que chora contando:
- Graças ao meu Deus tudo aconteceu

Ouvir dizer...
Que agora tudo tem um brilho novo,
que muitas vezes até o sangue é outro
Que o cabelo pode até não ser o mesmo
Mas, com certeza, as roupas são as antigas;
iguais as velhas manias

Ouvir dizer...
Que nem sempre é ruim
a coisa ruim acontecer
Que o homem vira homem nessa hora
Que coloca os pés no chão
e começa enchegar com o coração

Ouvir dizer...
Que é preciso mesmo coisa ruim acontecer
para você começar a ver
O moço da padaria,
o gari dando bom dia,
e o carteiro entregando
no envelope a vida de volta

Ouvir dizer...
também, que não é preciso deixar
a coisa ruim contecer
para você começar realmente viver
A vida que começa agora

Ouvir dizer...

Jamille C Dias

Eu prefiro Frescobol!


Por Rubem Alves,

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...(O retorno e terno, p. 51.)


Que bom que eles se casaram!..

A Mema tinha a delicadeza de uma asa de borboleta. Jovem, tinha sido muito bonita. Teve um caso de amor. Mas o pai não permitiu o casamento. O moço era pobre e da ‘prateleira de baixo’. Ela aceitou o veredicto do pai e transformou sua tristeza numa delicadeza mansa para com tudo e todos, especialmente para com os sobrinhos. Sempre que algum deles adoecia, a Mema era chamada. Todos a adoravam. Naquela manhã ela reuniu os sobrinhos e os levou para passear, longe da casa. Eles não entenderiam o que estava para acontecer. Na verdade, eles não deviam entender. Na casa o movimento era incomum, mulheres entrando e saindo de um quarto, água fervendo no fogão, o marido andando como um bobo de um lado para o outro. Até que se ouviu o choro de uma criança. O choro anunciava o nascimento. A parteira anunciou: ‘É um menino!’ A mãe ficou desapontada. Já tinha três filhos homens. Tinha rezado muito para que na sua barriga estivesse uma menina. Toda mãe sonha com uma menina como companheira e enfermeira, para quando os dias forem maus. Quando a Mema voltou com os meninos, eles foram informados pelo pai que um irmãozinho havia chegado - sem explicar nem como e nem de onde. Era o dia 15 de setembro de 1933. Assim foi: no desejo de minha mãe eu deveria ter sido uma menina... Ela mesma me disse, muito tempo depois, carinhosamente.

Hoje, decorridos sessenta e seis anos, mortos meu pai, minha mãe, Mema, parteiras, comadres, eu fico pensando sobre o enigma do casamento do meu pai e da minha mãe. Eu nunca os vi brigando. Nunca ouvi uma troca de palavras ásperas entre eles. E, no entanto, nunca pude entender por que eles se casaram. Minha impressão era de que eles viviam em mundos imensamente distantes, bolhas que não se comunicavam. Vieram-me à memória as palavras que Thomas Mann colocou na boca de José. José, vendido pelos irmãos invejosos a mercadores de escravos que iam para o Egito, diz ao seu novo dono: ‘Estamos assentados a um metro de distância um do outro. E, no entanto, ao teu redor gira um universo do qual tu és o centro, e não eu. E ao meu redor gira um universo do qual o centro sou eu, e não tu.’ (Thomas Mann, José no Egito). Era assim que eu sentia o meu pai e a minha mãe.

Meu pai era um sonhador. A fotografia dele de que mais gosto é uma em que ele está assentado numa poltrona, fumando o seu cachimbo, com olhar perdido. O cheiro e a fumaça do cachimbo têm um poder ‘desrealizador’ (essa palavra inexistente, eu acho, é de Bachelard...). A fumaça, em suas espirais azuis, vai dissolvendo os contornos nítidos das coisas. Os pintores chineses sabiam disto e, para misturar realidade com irrealidade, enchiam suas telas com neblinas. O cachimbo é um produtor de neblinas. Na neblina, ali onde a realidade fica irrealidade, o cachimbo abre o mundo dos sonhos. Meu pai, homem de origem humilde e pobre, sem árvore genealógica, foi homem de negócios bem sucedido e rico e terminou sua vida como caixeiro viajante pobre. Quem desejar saber algo sobre a alma dos caixeiros viajantes que leia a peça de Miller ‘A morte do caixeiro viajante’. Quando vi esta peça pela primeira vez, num teatro em São Paulo, o impacto foi tão grande que me senti fisicamente mal. Era a estória da vida do meu pai. Mas o fato é que, na alma, ele nunca foi nem uma coisa e nem a outra. Se tivesse podido teria sido um ator de teatro. Sei mesmo que ele chegou a fazer algumas experiências no palco, lá em Boa Esperança. Não teve sucesso como ator de palco mas foi um ator, a vida inteira. O que caracteriza um bom ator é que, ao representar, ele se esquece que está representando. Ele não representa; ele vive os papéis. Ri, chora, sofre, como se fosse verdade. Vida a fora meu pai se especializou em papéis alegres. Seu público era qualquer grupo de pessoas. Qualquer assunto era motivo para que ele criasse, através da palavra, uma trama fascinante que a todos encantava. Essa capacidade é uma grande virtude nos atores profissionais. Mas estes sabem que, ao sair do palco, o teatro terminou. Vida e teatro não são a mesma coisa. Mas meu pai não saía do palco. Não distinguia entre teatro e vida. Para ele a vida inteira era um teatro. Pagou um preço muito caro por sua vocação artística. Porque o ‘script’ da vida não é igual ao ‘script’ da peça. Por isso morreu pobre. Meu pai sonhou a vida inteira.

Minha mãe vinha de um mundo completamente diferente. Nascida num rico sobrado colonial, com vidros coloridos importados, longos corredores, salas barrocas, festas, sua família se gabava de ancestrais nobres e poderosos. Diziam, inclusive, que um dos seus membros havia sido governador da província das Minas Gerais, havendo deixado em Ouro Preto um chafariz com o seu nome - fato que nunca pude comprovar. As viagens para o exterior não eram incomuns. Minha tia Georgina, jovem de dezoito anos no final do século passado, foi sozinha aos Estados Unidos tratar de saúde, numa longa viagem de vapor. Todas as filhas eram pintoras. Todas sabiam tocar algum instrumento: bandolim, cítara (lembro-me de duas cítaras abandonadas, bordadas com madrepérola), piano. Minha mãe, além do bandolim, que abandonou, era pianista. Entendam-me. Não é que ela soubesse tocar piano e o fizesse em saraus musicais, como o fazem inúmeras mocinhas. O piano era a sua alma. Lembro-me dela tocando a Sonata ao Luar, de Beethoven, a balada em sol menor de Chopin. Minha mãe, mulher tímida e de poucas palavras, ao se assentar ao piano entrava num mundo de beleza musical a que poucas pessoas tinham acesso. Tocava, e a música criava ao seu redor um bolha encantada onde ela estava só. Meu pai ficava sempre de fora, embora fosse delicado e atencioso. Vez por outra ele dava um palpite: ‘Toque uma daquelas valsinhas boas para dormir...’ Ela sorria e tocava. Deixava sua bolha mágica para atender ao pedido da criança. Porque, esteticamente, meu pai era uma criança.

Foi minha mãe que me abriu o mundo da música. Menino ainda, ela me levava aos concertos no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi com ela que ouvi Brailowski, Nikita Magallof, Friedrich Gulda. Curiosamente, foi ela que ensinou o piano a uma comadre, Da. Augusta Freire, e suas filhas, em Boa Esperança. Pois Da. Augusta, num descuido do amor, ficou grávida de novo depois de muitos anos, e o menininho intruso recebeu o nome de Nelson Freire, que atualmente é um dos maiores pianistas do mundo.

Minha mãe falava pouco, muito pouco. Nós nos comunicávamos pela música. Ela ficava assentada, ouvindo, sem nada dizer, enquanto eu estudava a sonata de Chopin.

Há músicas que a gente ouve e gosta imediatamente. Sua beleza está no jardim de entrada. Ouvindo estas músicas a gente tem uma experiência imediata de comunhão: todos são igualmente comovidos. A música clássica é diferente. Sua beleza não se encontra no jardim de entrada mas num quarto fechado à chave. Quem não tem a chave não entra. A beleza da música clássica precisa ser aprendida paciente e disciplinadamente. Quem aprendeu tem a chave: entra no quarto e tem a experiência da beleza. Quem não aprendeu fica de fora e não percebe nada. Por isso a música clássica pode produzir uma dolorosa solidão.

Do meu pai, eu acho, herdei o gosto pela palavra, o prazer em criar mundos pela escrita e pela fala. O mundo do meu pai se abre para fora, para uma comunhão fácil. Da minha mãe recebi as chaves que abrem as portas que levam ao mundo da música clássica. O mundo de minha mãe se abre para dentro, onde se encontram a alegria e uma comunhão difícil que beira à solidão.

Não sei por que se casaram. Mas, que bom que se casaram! Porque, se não tivessem se casado, eu não teria nascido naquela manhã do dia 15 de setembro de 1933. (O amor que acende a lua, p.159).


Em defesa da vida

É um homem grande, 1.90 de altura; obviamente, um homem forte. Seus cabelos castanhos já estão grisalhos. E tem um grande bigode. Seus olhos profundos são azuis e bondosos. E o seu piscar revela humor. Um veadinho se esfrega nele pedindo carinho e sua mão grande deixa a caneta sobre a mesa e delicadamente agrada o bichinho. Lá fora, os crocodilos algumas vezes dormem com suas enormes mandíbulas abertas. E há os hipopótamos, os pelicanos, a vegetação impenetrável que se reflete nas águas barrentas do rio.

A aparência é de um homem solidamente plantado nesse mundo. Mas não é verdade. Seu coração e sua cabeça se movem de acordo com uma lógica estranha de um outro mundo que só ele vê.

Nasceu em 1875, numa aldeia da Alsácia, filho de um pastor protestante. Desde muito cedo ficou claro que ele era diferente. Sua sensibilidade para a música chegava à dor. Ele mesmo conta que, à primeira vez que ouviu duas vozes cantando em dueto - ele era muito pequeno ainda - ele teve de se encostar na parede para não cair. Outra vez, ouvindo pela primeira vez um conjunto de metais ele quase desmaiou por excesso de prazer. Com cinco anos começou a tocar piano. Mas logo se apaixonou pelo órgão de tubos da igreja na qual o seu pai era pastor. Aos nove anos já era o organista oficial da igreja, e tocava para os serviços religiosos.

Sentimento amoroso idêntico lhe provocavam os animais. Ele relata que, mesmo antes de ir para a escola, lhe era incompreensível o fato de que as orações da noite que sua mãe orava com ele apenas os seres humanos fossem mencionados. ‘Assim, quando minha mãe terminava as orações e me beijava, eu orava silenciosamente uma oração que compus para todas as criaturas vivas: \'Oh, Pai, celeste, protege e abençoa todas as coisas que vivem; guarda-as do mal e faz com que elas repousem em paz.\'‘

Ele conta de um incidente acontecido quando ele tinha sete ou oito anos de idade. Um amigo mais velho ensinou-o a fazer estilingues. Por pura brincadeira. Mas chegou um momento terrível. O amigo convidou-a a ir para o bosque matar alguns pássaros. Pequeno, sem jeito de dizer não, ele foi. Chegaram a uma árvore ainda sem folhas onde pássaros estavam cantando. Então o amigo parou, pôs uma pedra no estilingue e se preparou para o tiro. Aterrorizado ele não tinha coragem de fazer nada. Mas nesse momento os sinos da igreja começaram a tocar, ele se encheu de coragem e espantou os pássaros.

Seu amor pelas coisas vivas não era apenas amor pelos animais. Ele sabia que por vezes era preciso que coisas vivas fossem mortas para que outros vivessem. Por exemplo, para que as vacas vivessem os fazendeiros tinham de cortar a relva florida com ceifadeiras. Mas ele sofria vendo que, tendo terminado o trabalho de cortar a relva, ao voltar para a casa, as suas ceifadeiras fossem esmagando flores, sem necessidade. Também as flores têm o direito de viver.

Também não podia contemplar o sofrimento dos animais em cativeiro. ‘Detesto exibições de animais amestrados. Por quanto sofrimento aquelas pobres criaturas têm de passar a fim de dar uns poucos momentos de prazer a homens vazios de qualquer pensamento ou sentimento por eles.’

O nome desse jovem era Albert Schweitzer. Doutorou-se em música, tornou-se o maior intérprete de Bach da Europa, dando concertos continuamente. Doutorou-se em teologia e escreveu um dos mais importantes livros de teologia desse século. Doutorou-se também em filosofia, e era professor na universidade de Estrasburgo, sendo também pastor e pregador.

Schweitzer tinha tudo aquilo que uma pessoa normal pode desejar. Ele era reconhecido por todos. Mas havia uma frase de Jesus que o seguia sempre: ‘A quem muito se lhe deu, muito se lhe pedirá.’ E, aos vinte anos, ele fez um trato com Deus. Até os trinta anos ele iria fazer tudo aquilo que lhe dava prazer: daria concertos, falaria sobre literatura, sobre teologia, sobre filosofia. Aos trinta anos ele iniciaria um novo caminho. E foi o que ele fez. Aos trinta anos entrou para a escola de medicina, doutorou-se em medicina, e mudou-se para a África, para tratar de uns pobres homens atacados pelas doenças e abandonados. E lá passou o resto de sua vida.

É preciso entender que Schweitzer não era só um médico curando doentes. Ele não se conformaria com isso. Dentro dele viviam a música, a filosofia, o misticismo, a ética. Schweitzer sabia que somente o pensamento muda as pessoas. E o que ele mais desejava era descobrir o princípio que vivia encarnado nele. E ele conta que foi numa noite - ele e remadores navegavam pelo rio para chegar a uma outra aldeia - seu pensamento não parava - e ele se perguntava - ‘qual é o princípio ético?’ De repente, como um relâmpago, apareceu na sua cabeça a expressão: ‘reverência pela vida.’ Tudo o que é vivo deseja viver. Tudo o que é vivo tem o direito de viver. Nenhum sofrimento pode ser imposto sobre as coisas vivas, para satisfazer o desejo dos homens.
Há algo estranho na psicologia de Schweitzer. Um dos maiores desejos da alma humana - de todos - é o desejo de reconhecimento. Na Europa Schweitzer era admirado universalmente: organista, filósofo, teólogo, escritor. Aos vinte e poucos anos seu nome já era símbolo. Aí toma uma decisão que o levaria para longe de todos os olhos que o admiravam: a absoluta solidão de uma aldeia miserável. Hoje uma decisão como a dele seria imediatamente notada: os jornais e a televisão logo fariam brilhar a sua imagem de Cavaleiro Solitário - e ele apareceria como herói. Seria grande, imensamente grande na sua renúncia! Também as renúncias podem ser motivo de vaidade! (A esse respeito relembro a última cena do filme O Advogado do Diabo. Merece ser visto de novo.) Mas ele opta pela invisibilidade, a solidão, longe de todos os olhos e de todos os aplausos. Isso só tem uma explicação: ele era, antes de tudo, um místico. O que lhe importava não era o brilho narcísico mas a consciência de ser verdadeiro com o princípio de ‘reverência pela vida’, o seu mais alto princípio religioso.

Esse princípio, Schweitzer viveu intensamente. Não é difícil ter reverência pelas coisas fracas, a relva, os insetos, os animais. Fracos, eles não têm o poder de nos resistir. Difícil é ter reverência pelos homens fortes, que se encontram ao nosso lado. Jesus ordenou ‘amar o próximo’. Porque é fácil amar o distante. O próximo é aquele que está no meu caminho, que tem o poder de me dizer não. Mais difícil que amar os doentes, que são carência pura, fraqueza pura, dependência pura, mendicância pura, é amar aqueles que estão ao meu lado e que são tão fortes quanto eu. Reverência pelos que estão ao meu lado. Se Schweitzer se relacionou com os pobres negros doentes por meio da compaixão, ele se relacionou com seus próximos, iguais, companheiros de hospital por meio de amizade. E ele formula, na sua Ética, o princípio de que ‘um homem nunca pode ser sacrificado para um fim.’

Schweitzer não era um ser desse mundo. Talvez ele tenha compreendido isso e que essa tenha sido uma das razões porque ele saiu do mundo civilizado, se embrenhando nas selvas da África. No mundo civilizado, das organizações, será possível ter reverência pelo próximo? Na lógica das organizações não há ‘próximos’ nem amigas. A lógica das organizações diz: ‘cada funcionário é apenas um meio para o fim da organização, não importa quão grandioso ele seja!’ Nas organizações os sinos das igrejas não tocam para impedir que o pássaro seja morto. (O amor que acende a lua, p. 25.)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

É isso mesmo!


"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva
Tem espaço na agenda e no coração.
Só não se perca de mim."
Caio F.

domingo, 24 de outubro de 2010

Convite


Queria que você separesse uma tarde da sua semana para mim.
Na verdade meu desejo era a semana toda.
Ou uma estação, de preferência a primavera, ou poderia ser o verão.
Se eu ia começar a fazer perguntas de como tinha sido seu mês, seu ano, sua vida?
Não.
Na verdade era só para ficar em silêncio escutando sua respiração.
Se quissese me contar, eu iria escutar. Tudo. Sem reclamar.
É só um convite.
Se quiser aceitar?

Jamille C Dias

A grama sempre volta na primavera


*um mês e um dia da primavera

Mas você adora um se...


se quiser eu posso ser ...

posso te doar todo meu tempo livre
e inventar mais horas livres só pra estar ao seu lado.
posso te doar todas as minhas cores e sons.

posso te levar pra passear no lago, fazer pic-nic,
fazer planos, fazer comida e poesia,
fazer qualquer coisa que te faça feliz.

posso te acordar no meio da noite só pra dizer que te amo
e te abraçar apertado antes de sair pra trabalhar.

posso te ouvir e ler suas palavras infinitas vezes
e continuar te achando a pessoa mais linda do mundo.
posso limpar sua casa, seus armários,

seu coração de coisas passadas, posso mudar sua vida.
posso fazer de você a última pessoa da minha vida,

se quiser.

mas pra tudo isso e pra todo o resto...

se você quiser.

O Significado dos Rabiscos


Junto do seu telefone deve ter um bloquinho cheio de rabiscos. Preste atenção neles. Você vai ficar surpreso com algumas revelações que anda largando por aí. Eu sempre desenho uma seta...
Vamos ver o que significa.

"Setas":
Desenhar setas significa alguma idéia fixa. Se elas apontarem para baixo ou para esquerda, elas falam de alguma coisa que já passou. Se elas apontarem para a direita, indicam futuro. Se as setas apontarem para cima, você deve estar entediado (a) e é bom se programar direitinho para o próximo fim de semana.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

EU ETIQUETA


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A viagem



Minha mãe sempre me disse:
“O bacana da viagem é demora de chegar”.
Eu nunca concordei,
afinal, essa era a parte que eu menos gostava.
Hoje eu a entendo, o destino pouco importa,
o importante é a viagem,
o tempo que dura para chegar,
quem esteve na cadeira ao lado,
se a pessoa lhe ofereceu água durante o percurso,
se conversaram e se valeu a pena viajar com esta tal
pessoa falando bobagens no teu ouvido.

O destino pouco importa mesmo,
se é praia, mar ou verão.
Se caso for neve, gelo, inverno, chuva ou trovão...
Talvez, um lugar onde a primavera habitará,
poderia também ser uma praça regada pelas
folhas do outono.

Tudo isso pouco importa...
Pouco importa mesmo.
O que importa é o caminho.
Nunca falei do destino,
Não prometi ver o mar,
na verdade
não fiz promessas, lembra?

O destino nunca me importou,
o que me movia era o caminho,
era a boa conversa e o bom vinho,
era os domingos, os sábados e os feriados.
O que me brilhava os olhos era
olhar da janela, não do ônibus, mas
da sacada da sua casa e ver você
me espiar ir embora.

O que me fazia ir mais devagar
e diminuir a velocidade da viagem,
e muitas vezes indo a 30km por hora,
era ver você imitando uma criança eu
rindo sem parar daquilo tudo.

Minha oração a Deus, nosso Pai,
era para esticar a estrada, para a
demora continuar e a viagem não acabar.

Porém, toda viagem tem um destino.
Chega um momento em que você decidi,
ou você dar o sinal e desci,
ou fica “sem destino”
e arrisca confiar no motorista.

Jamille C Dias


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

descuido


Diga que o meu samba é fraco
E que eu não largo o taco
Nem pra conversar com você
Mas fica
Mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar

chico

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Isso eu sei.


É a mais linda,
ás vezes é aquela prima-amiga,
tem horas que é a melhor companhia
é, sem mentira, a minha vida

As marcas do tempo a deixa
mais moça a cada dia
Ela que me acorda, que me deita,
pega minha toalha,
ela que coloca meu prato,
aquela que fala baixo e alto.

Ela é minha, só minha.
Usa saia para sair e
blusa folgada para dormir,
Ela me ensinou o que sei e o
não quis saber.

Ela abriu meus olhos tantas vezes,
até mesmo quando eu não quis ver
Ela sabe a dose certa do remedio
para a dor de cabeça

Sabe ouvir e falar,
sabe sorrir e chorar,
sabe dançar e orar,
sabe lavar e passar,
sabe até fazer um chá.

Sabe também ensinar,
sem ao menos me olhar
Sabe tantas coisas
que eu tenho medo não dar tempo
aprender tudo que ela sabe
e que eu ainda não sei,

Ah, uma coisa eu sei...bem sei.
Ela é minha rainha, isso sim, eu sei!

"Quando eu tinha três anos as pessoas peguntavam:
- Você ama mais o papai ou a mamãe?
Eu ficava queita não respondia.
Mas, meu pai gritava: - Tem que amar mais a mamãe...
Aí se estiver um espacinho lá dentro, você coloca o papai."


Jamille C Dias