quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Somos mulheres e chegamos lá

 
Por volta de 1960, centenas de mulheres se reuniram em frente ao teatro onde era realizado o concurso Miss América para protestar contra a ditadura de beleza imposta às mulheres da época. As manifestantes levaram para o ato alguns símbolos da feminilidade ou instrumentos de “tortura”: sapatos de salto alto, maquiagens, espartilhos, cintas e, claro, os sutiãs. Esses objetos foram reunidos e colocados em uma lata de lixo para serem queimados. A luta do feminismo começou e não parou mais.
Direito a voto, o dia internacional da mulher, a escola normal para mulheres, as Olimpíadas Femininas, igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual, mulher astronauta, Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; são essas, entre outras, as grandes conquistas das mulheres desde o século 20. Isso tudo foi fruto de muita competência. Não foram hábitos, foram lutas.
Já os homens, “privilegiados” durante todo esse tempo, foram criados e educados para não ter medo de barata, não fazer xixi sentado, ganhar mais que a mulher, não fazer trabalhos domésticos, não poder ser vaidoso, não negar “fogo”, não poder ser o filhinho da mamãe, não discutir a relação e hoje tentam desconstruir todo esse aparato de regras. As mulheres chegaram num outro patamar e agora são os homens que buscam direitos iguais. Hoje existem salões só para homens, clínicas de estéticas só para homens.  
Ineditamente, no primeiro encontro, elas chamam o garçom, escolhem o vinho e a conta do restaurante é naturalmente dividida. Algumas delas são tão independentes que transparecem não precisar de ninguém, mas são sentimentais, por vezes solitárias e, por isso, grandes parceiras de farras e roubadas.
Muitos anos atrás, as mulheres casadas só podiam trabalhar fora de casa se o marido permitisse. Hoje elas são as CEO das grandes empresas e das famílias. E assim as mudanças, que começaram com uma pequena luta pelo respeito, se tornaram uma luta para ter grandes mulheres no poder: Margareth Thatcher, Michelle Bachelet, Cristina Kerchner, Hillary Clinton, Condolezza Rice, entre outras.
Vinte anos antes de Dilma Rousseff nascer as mulheres não podiam nem votar aqui no Brasil e hoje, ela é a primeira mulher Presidenta da República, reeleita agora em 2014. Uma mulher como qualquer outra, claro se não fosse Presidenta da República, mãe, avó, que gosta de cozinhar. Firme, decidida, brava e principalmente humana. De sapato simples ao contrário das mulheres burguesas que foram protestar por “mudanças”. E com uma porção de defeitos que - nós pobres mortais – também somos cheios.
Claro que não iríamos imaginar que fossemos tão longe, mas fomos. Chegamos lá, essa que é a verdade. As mulheres mostraram a que vieram. Hoje são os homens que lutam para ter os mesmos direitos que agora nós, o tal “sexo frágil”, temos. Eles buscam o direito até mesmo de simplesmente chorar quando for preciso chorar.