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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Feliz Ano Novo.


Meu aniversário esta chegando e eu ficando triste, não gostei da idéia de fazer vinte anos, adoro ter dezenove anos. É até bonito falar... Todo mundo dizendo eu tenho 25,26,30 e eu tenho apenas 19 aninhos. Poxa, isso acabou, agora eu tenho vinte anos e toda aquela responsabilidade que essa idade trás, apenas por soar aos ouvidos uma idéia de maturidade, de crescimento que, justamente, agora eu não queria ter.
Às vezes eu penso que eu preciso viver algumas coisas que não foram vividas, mas com vinte anos, os pesos são outros, outras responsabilidades... Eu penso que agora eu sou uma pseudo-professora, uma designer de uma gráfica, uma estudante de economia, não posso mais ficar fazendo coisinhas que uma pessoa de dezenove anos faz.
Mas eu queria fazer todas, todas mesmo, no sentido literal da palavra. Todas as coisas certas e erradas. Preciso sentir o cheiro do ar às 6:30h da manhã quando acordo para ir trabalhar como uma menina de vinte anos, mas preciso também sentir o cheiro do sábado a noite em uma bar qualquer da cidade. Preciso. Preciso saber diferenciar os cheios, os momentos, preciso sentir, viver, decidir...
Preciso chegar aos vinte e um anos de idade sabendo exatamente o que eu quero. Qual dos dois cheios mais me agradou, qual eu prefiro, qual me faz feliz.
Preciso.
Algumas coisas são irreversíveis, mas acreditem muitas coisas não aconteceram até hoje por eu pensar que já tenho quase vinte anos e não posso ficar fazendo coisinhas de adolescentes. Pensava duas vezes... Antes por questões pessoais, religiosas, familiares. Hoje não tenho mais barreiras, tudo que não fiz foi por pensar em mim primeiro e saber decidir o que eu quero e o que eu não quero.
Chegar aos vinte anos da forma que eu estou chegando é meio louco. Achei que neste aniversário seria tudo exatamente diferente do que está sendo. Quando eu chegar em casa na noite do dia 30 eu poderia até pegar as fotografias que não iriam me deixar mentir, pessoas, ambientes, recados, mensagens, tudo, extremamente tudo, diferente.
Se me perguntarem se foi uma mudança para melhor, não sei responder. Hoje tenho outra visão de tudo e de todos. Por mim eu estaria com as mesmas pessoas dos anos anteriores, mas o aniversário é meu... O presente tinha que ser delas. E como eu queria ganhar esses presentes, de verdade.
As novas pessoas e os novos ambientes me acolheram me receberam... Nenhuma pessoa especial, apenas mais uma, uma na multidão. O que é bom. É suficiente. Chega de holofotes.
Contudo, existem coisas que não mudam com tempo, com os anos, com a metamorfose é o almoço do domingo com os quatro na mesa, não mudam. Sempre vão está... Que seja fisicamente ou em memória, vão estar. Que aceite ou não todas as diferenças, vão estar... São os únicos que permanecem sempre. Desde primeiro aniversário. Primeiro presente. Primeira escola. Primeira festa. Primeiro beijo. Primeiro dia de faculdade. Primeiro dia de transformações, mesmo que elas ocorram todos os dias. Mesmo que elas não agradem. Mesmo que tudo seja diferente do costume, da tradição... Mesmo que pareça tudo meio fora do lugar. Mesmo. Vão estar...
Os quatros estarão ali, minha mãe me acordando para dar um beijo de bom dia de aniversario, meu pai fazendo brincadeiras: “-É fiquei sabendo que hoje tem alguém aqui ficando mais velha, daqui um ‘xerô’.” E minha irmã: “- Passa o dinheiro para eu comprar uma blusa, minha cara que eu olhei na rua, para você!” (Não sei se vocês perceberam, mas o dinheiro é meu e a blusa é para ela no dia do meu aniversário. Está é minha irmã).
Eles estão ali... É inevitável. Eles permanecem.
Existe alguém que não falta, mas este não é só no meu aniversário, Ele me da presente todos os dias, fazer surpresas, me agrada, me ama mesmo que eu não mereço. Ele é Ele, não preciso dizer mais nada. Ele é do tamanho do vazio que às vezes eu tenho, Ele é o tamanho da saudade que eu sinto, mesmo quando a saudade é do que eu ainda não vivi, Ele é o complemento quando me falta alguma coisa, Ele é o amor. E quando se trata disso eu posso dizer que eu O conheço bem, pois recebo dEle todos os dias. Um amor incondicional pela graça. Ele nunca falta, nunca faltou... Nunca vai faltar.
Espero que esses vinte anos cheguem de uma forma que eu posso aproveitar cada segundo e fazer jus aos meus vinte anos. Afinal, não é sempre que se faz vinte anos. Só às vezes, só no dia 30 de julho de 2010.
Então, feliz ano novo para mim e para você. =)
26/07/2010, Jamille C Dias

Será que existe?


Eu não queria escrever, mas não consigo. Não queria colocar em palavras o que eu sinto, mas não estou conseguindo. Às vezes me deparo com uma questão simples: “- Será quem Deus existe mesmo? E se Ele existir onde está?”
Quando olho para minha própria vida, sei que não vale um real falso, mas quando me deparo olhando para outras vidas, tudo muda.
Quando se trata de mim talvez Deus pudesse não existir. Festas, amigos, saídas, baladas, amores, paixões, tudo que possa completar algo que nunca vai ser preenchido, é feito, está sendo feito. Não dá para ficar sozinha no quarto, é como se fosse um quarto cheio de espelhos que você entra e só se vê, então a solução é sair do quarto, ocupar a mente, ocupar seu coração, sendo com coisas passageiras ou não, sendo com coisas que deixam marcas ou não, mas fazendo o possível, fazendo o que você pode e com suas próprias mãos.
Aí neste momento se Deus existe, ou não, não faz a mínima diferença, afinal você está muito ocupado para pensar nisso. É muitas festa, muita gente bonita, muito estudo, muito trabalho, então, quando se trata de mim podemos deixar essa conversa sobre Deus para depois.
Só que existi o outro lado da moeda, quando se trata dos outros. E quando digo outros, pode ser sua mãe que está doente. Quando se trata do seu irmão viciado em algum tipo de droga (que para você não tem problemas algum, mas que está acabando com a vida dele). E quando se trata de amigos que estão morrendo pelos acidentes de trânsito. Quando se trata da pessoa que você mais ama, aquela que “você não saberia chegar até o fim do dia sem ela”, aquela pessoa, esta mesmo que você está pensando, quando se trata dela e ela está precisando de ajuda, algo que você não pode fazer, algo que não depende de suas mãos.
Aí neste momento, entra Deus.
Eu não queria falar aqui sobre religião, e nem vou, porém, vou citar algumas e nelas em que Deus pode vim como Jesus ou Buda, na verdade Deus poderia vim apenas como uma força maior, ou como o livro “A cabana” diz: uma mulher, talvez Deus possa existir sem interferir no plano terrestre, aí seria como se ele só olhasse pela janela do céu os pequenos pontos de gente aqui na terra. Mas agora eu vou um pouco mais fundo, “o céu e inferno isso é coisa da nossa cabeça, não tenho dúvidas. E esse negócio de Deus existir também, ora francamente. Claro que não.”
Então citei alguns pensamentos sobre Deus.
Mas voltando a questão dos outros, da nossa família, do nosso amor maior. Falando sobre as pessoas que nos não podemos fazer nada para elas e só alguém como DEUS poderia. Aí, nesse momento se ELE não existisse nos O inventariamos rapidamente. Deixaríamos de lado as dúvidas e passaríamos a fazer suplicas, mesmo sem saber direito para onde olhar, como falar, se é sentando ou deitado, se precisa acender uma vela ou não. Nesse momento acreditamos em algo. Que pode ser Deus ou uma força maior, mas que nesse momento é tudo que você precisa.
Quando se trata de nos mesmo, arrumamos coragem, força de vontade, garra. Mas quando se trata de algo impossível para pessoas que amamos verdadeiramente é como se a esperança delas estivesse em nossas mãos.
E o que fazer?
Vamos agora olhar o lado bom da situação, sem doenças, nem problemas. Agora vamos viver alegrias. Seu filho acaba de nascer, você olha para ele e pede para quem protegê-lo? O segurança do prédio? A babá?
Nesse momento inventamos um Deus. Inventamos cada tipo de Deus que precisamos. Tem dias que Ele nem precisa existir, tem dias que Ele só precisa ser uma força maior, tem outros que Ele até pode existir, mas nada de interferências, viu Deus? E outros que se ELE não existisse nos O evitaríamos.
Mesmo que seja para as alegrias ou tristezas Ele é presente. Quando falo Ele é Deus, não falo de religião, falo do amor de pai, e isso não encontramos em qualquer esquina. Às vezes entramos nas ruas locais que falam desse Deus, falam bonito, alto, falam com amor. Mas nessas ruas existem defeitos, alguns quebra-molas, que impedem que seu carro chegue até o final, ai nesse momento é só você pedir ajuda a aquEle que tem um avião particular e você atravessa a rua pelo céu olhando as nuvens. Sem essas regras chatas, mas com o amor Dele que é INCONDICIONAL, que é pela graça (algo que você não paga para ter).
Para você Ele ainda não existe? O invente a seu modo, invente o seu super herói, que tem todos os super poderes ou que apenas que lhe dar todo o amor de Pai.
Afinal, ninguém precisa inventar o que já existe.

Para Ele, aquele abraço.

"Às vezes eu concordo em muito com o ateu, mas no centro de tudo, na raiz do pensamento, eu discordo totalmente."


Jamille C Dias

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Natação


“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"

Ninguém nunca vai entender. Doença? Sumiço? Perversão? Falta de caráter?
Eu não entendi, eu não aceitei, eu sentia vergonha e por isso eu respeito cada opinião.
Mas o que me faz descansar foi o Seu olhar. Eu tinha esquecido como Ele era. Pedi para não ver mais esse olhar que me faria voltar atrás em todas as decisões. Esse olhar me faria mudar, como fez em outros momentos, mudar coisas que dependiam de mim. Esse olhar que transforma pessoas.
Pedi para Ele me esquecer para nunca mais me procurar. Ele precisava ficar longe de mim. Eu estava longe de ser quem Ele gostaria que eu fosse. Eu não sabia direito o que eu queria e quem não sabe direito o que quer, sofre até pelo que não quer...Eu tinha muito medo de errar, mas não é errar às vezes é errar em dobro.
Então eu sair do barco e comecei a nadar, “queria” enfrentar a tempestade em alto mar, sozinha, sem ninguém. Eu precisava...
Ou eu atravessava aquele mar ou eu afogava de vez. Mas nem uma coisa nem outra aconteceram.
Eu estava lá nadando, nadando... Indo... Cansada. Chorando, mas ninguém notava as lágrimas, afinal, elas se misturavam com a água do mar.
Para muitas pessoas eu estava brincando, para outras eu estava dando um passeio pelo mar, para tantas outras eu ainda era a aquela de um tempo atrás, então nem precisaram se preocupar.
Acredite ninguém vai para o meio do mar, sem Ele, para brincar, nem muito menos para fazer um passeio, principalmente pessoas, como eu, que não sabem nadar. Quando elas fazem isso tem coisas acontecendo, tem certezas, tem idéias fixas, tem algo. E mesmo aqueles que sabem nadar, não podemos ser hipócritas, é uma tempestade em pleno grande mar.
Pedir para Ele não vim atrás de mim, não porque não acreditava mais Nele. Eu acredito, eu confio muito, eu o amo mais que qualquer coisa. Ele é minha salvação, e quando eu digo salvação, não é porque ele vai me levar para o céu, é porque Ele me faz olhar para o meu irmão com mais amor a cada dia, essa sim é a verdadeira salvação.
Mas naquele momento, e porque não dizer, neste momento, eu estava precisando ir sozinha. Eu precisar enfrentar toda aquela tempestade. Não da para ficar chamando Ele todas as vezes que eu tivesse problemas. Eu estava cansada de chamá-lo para resolver meus pepinos. Eu queria chamá-lo para a festa, para a comemoração.
Uma visita importante você não chama para ajudar na limpeza da casa. Você limpa a casa prepara aquele jantar e liga convidando. Eu quis fazer o mesmo.
Meu quarto era o local do nosso encontro, diariamente, antes de dormir. E por isso tem mais de quatro meses que durmo na sala. Não consigo entrar naquele quarto apenas para dormir, meu violão, que eu mal sei tocar, olha para mim... e eu vou para sala assistir televisão até dormir.
Por enquanto está sendo assim!
Quando você está no meio do mar, se sentindo sozinha, tudo é gigante. Seus problemas são os únicos e os maiores, ninguém nunca passou por isso, só você! Quando você olha para aquela quantidade de água, você não vê terra firme, não ver ninguém... Tudo é com você!
Em alto mar com aquela tempestade você pensa que nada pode acontecer para ficar pior. Engano seu, sempre tem peixes famintos, eu encontrei vários deles no caminho. Digo vários. Quando você está se afogando jacaré é tronco, já diziam os sábios.

Os homens são fáceis de afastar. Basta não nos aproximarmos.
Fernando Pessoa

--
Claro que chega um momento em que a chuva vai embora... Esse momento chegou. Mas você continua em alto mar.
Porém, com uma diferença, com Ele ao seu lado. Ele nunca saiu.
Ele não costuma obedecer minhas ordens.
Ainda bem...
Quando a chuva passa, você abre os olhos, você enxerga melhor. Mas as lágrimas, a tempestade, o medo, a angustia não deixava você ver Ele bem do seu lado.
Neste momento você começa a fazer religião que deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa "religação". Você começa a fazer sua própria religião, a religação com sua Fé e esperança. Porque a fé, neste momento, desapareceu, mas a esperança, que ela poderia voltar, se manteve firme.
Não podemos esquecer que ainda estou em alto mar. Sem chuva, não sei até quando, o tempo por aqui é estranho, um dia faz sol, no outro não. Mas tudo tem seu lado bom, nada se perde. Ou ganha ou aprende.
Em alto mar, você aprende a nadar; aprender a mergulhar de cabeça em todas as ondas que vier lhe derrubar, você ganha todas as estrelas do mar, todas as conchinhas que você brincava quando criança. Ganha liberdade... E digo mais você ganha o mar. E nele, ou você aprende a nadar ou se afoga. Dizem que é brincando com fogo que aprende a não se queimar. Eu digo que é na água que você aprende a nadar.

"Foi para repensar a luz que precisei de tanto quarto escuro."
Rodrigo Faria

Jamille C Dias

Ex-emplo

Começar a trabalhar com 11 anos de idade para ajudar o pai na loja. Pagar sua própria escola com o dinheiro ganho no final do mês: era um bom exemplo a ser seguido. Passar no vestibular no 2º ano. Entrar na igreja e ser transformada em uma pessoa melhor a cada dia. Ajudar nas despesas de casa, dar um dinheiro para sua mãe ir ao salão, pagar uma roupa para irmã mais nova, comprar suas próprias coisas sem precisar pedir dinheiro ao seu pai. Ser um exemplo dentro da igreja, cheia de planos, projetos, sonhos para ajudar o sorriso do próximo eram exemplos. Eram bons exemplos. Ser boazinha, não responder a mãe, ser disponível para as pessoas, acordar de madrugada para cuidar de alguém. Distribuir toddy nos hospitais em pleno sábado à noite. Arrecadar alimentos para dar as necessitados. Eram exemplos a serem seguidos. Sempre acreditei muito numa frase de Albert Schweitzer: “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.”

Sinto-me como se eu tivesse nascido com uma blusa toda suja. E cada aniversário fosse lavando partes dessa blusa. Até que um dia as pessoas olharam e perceberam: “nossa a blusa dela esta ficando branca. Nossa a cada dia a blusa fica mais branca”. Eu lavava, esfregava, passava sabão... Lutava para ela ser branca de verdade. Deixei minha blusa de molho por dias para sair às machas, afinal são 19 anos com a mesma blusa. A cada dia as pessoas elogiavam mais a blusa... Estava de verdade ficando branca. Eu ficava noites sem dormir para todas as manchas saírem. Algumas manchas saíram, outras ficaram amarelas como se fosse uma blusa guardada, eram machas antigas... E por isso amarela, porém não menos importantes.

Nas conversas de minha mãe com minha irmã mais nova, meu nome era citado como um exemplo a seguido. “Não ver sua irmã. Faça como ela”. Para meu pai eu era a melhor filha que um homem pode ter. Minha família me tinha como alguém que não era a melhor pessoa do mundo, mas que tentava ser. Para os amigos eu era a disponibilidade em pessoa. Não era o remédio para a dor, mas sabia o numero da farmácia. Para as pessoas da igreja era alguém próxima de Deus, eles não erraram eu tentava ficar pertinho de Deus, mas quando mais me aproximava mais via as manchas da minha blusa. Deus é luz, claridade. As manchas aparecem logo.

Mas existia uma mancha que nunca saiu. Fiquei noites sem dormir, dias acordada com aquela blusa no balde. Passando sabão, água sanitária. Mas a macha continuava lá. Muitas vezes eu esquecia que ela existia. Nossa passei até anos sem lembrar. Principalmente quando estive ocupada sendo o exemplo de muitos. Aquela mancha era algo que eu poderia conviver sem problemas nenhum. Afinal ela ficava do lado de dentro da blusa ninguém notava. Só eu sabia, pois toda a noite antes de dormir eu tirava a blusa e lá estava ela olhando para mim. Mas no outro dia com ela no corpo eu não lembrava e nem fazia questão de lembrar, pois eu tinha outras manchas e eu lavei a blusa: uma, duas, três vezes e elas saíram, com essa não seria diferente, eu assim acreditava. Na verdade eu esqueci essa mancha por anos. E nem queria lembrar.
Mas foi diferente. A mancha não me incomodava, eu poderia conviver com ela. Mas o fato de todo mundo achar que eu era um exemplo, isso era pior do que a mancha em si. Eu me sentia uma farsa, me sentia um lixo, eu não era nada daquilo que as pessoas diziam. A minha vontade era de tirar aquela blusa e mostrar a mancha que tinha ali atrás. “Ei, eu tenho uma mancha, aqui dentro, ninguém nunca viu, mas ela existe.”

Nunca teria coragem de fazer isso. Chega uma hora se acostuma ser o que os outros acham que você é; olhando por outro lado você se cansa de ser o que você não é. Você se cansa. E foi assim, me cansei. Peguei minha blusa que já estava quase branca e só um mancha do lado de dentro e coloquei ela dentro de um balde de tinta preta, dessas que não sai com qualquer lavada. Eu sabia que no outro dia as pessoas iriam ver a blusa toda suja. Na verdade essa era a intenção. Não queria nada escondido, também não queria ninguém olhasse a blusa e visse suja, eu queria contar que tinha tomado tal decisão. Mas não deu tempo, antes que pudesse criar coragem para dizer qualquer coisa, as pessoas já tinham conversado entre si. Elas que chegaram e falaram: Ei, eu sei que sua blusa agora é preta. Aí eu só fiz afirmar: “É verdade eu coloquei ela num balde de tinta. Obrigada por me lembrar.”

Tinha pessoas que eu queria contar com minha própria boca, pessoas especiais, pessoas que são importantes para mim, mas não deu tempo. Tudo bem. Tem uma frase bacana: "Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar."

Depois que aparece com sua blusa preta você deixa de ser um exemplo em segundos. As coisas boas do seu caráter desaparecem. “Ela é até gente boa, estudiosa, trabalhadora, mas a blusa é preta.” Tudo que você construiu em anos, todos os sonhos, planos, seu próprio caráter desaparece as pessoas deixam de ver seus olhos e passam a enxergar só a cor da sua blusa.
O bacana na frase que eu citei é a ordem: Nunca se explique. Então sem explicações. Sem exemplos. A blusa é preta...

Depois que você coloca sua blusa dentro de um balde de tinta preta, toda frase tem um “mas”.

É, mas...

(...)

É, mas...

Exemplos bons só são os de blusas brancas, de preferência sem manchas. O que eu acho difícil. Como diria o Chico “Todo mundo tem/quem não tem/Procurando bem/Todo mundo tem”. Na verdade eu conheço muita gente de blusa branca nesse mundo. Conheço e me orgulho por ter conhecido. Conheço também pessoas que tem uma blusa preta, mas que por dentro a blusa é branca e mesmo que elas tentem colocar suas blusas no balde de tinta preta, dentro nunca sujou e nunca vai sujar; a blusa quando é branca - é branca.

Hoje o que me deixa mais triste é quando as pessoas me olham e vêem a cor da minha blusa falam: “Eu aprendi a lavar minha blusa com você, porque você manchou a sua?” É como se só com uma blusa branca você servisse, só com a blusa branca você entra aqui, só quero você com a blusa branca.

Ninguém percebe que a blusa é um detalhe de quem sou eu. Existe a calça, o sapato, os acessórios. Estou amando isso, pelo menos agora quem quiser ficar perto, vai ficar pela essência, pois sabem: a blusa é preta.

Antes quando pequena, eu tinha uma blusa cheia de manchas, que com o tempo fui lavando e tirando todas. Mas hoje não sei se quero passar por tudo aquilo novamente... Lavar todos os dias a blusa. Não tenho nem forças e nem coragem. Não nesse momento. A blusa vai ficar preta pelo menos por um tempo.

Então a historinha termina assim:

Eu era um exemplo, mas...
Jamille C Dias

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A cena




Imagine a cena.
Noite chuvosa, trovões, a janela do quarto entre aberta, com medo do temporal que está lá fora. Mas naquele exato momento lembramos que nossa mãe está no quarto ao lado. E o que fazemos? Corremos para lá! Para o colo da nossa mãe.
O tempo muda, nem sempre é praia, nem sempre é sol. Às vezes chove, chove muito, vêm os trovões, pode até ser que falte a energia da casa.
Porém, tem uma coisa que nunca muda. Nossa mãe está sempre do quarto ao lado.
E porque não dizer nosso Pai.
Independente do mundo, dos dias, das pessoas, das coisas, até mesmo das nossas falhas.
Ele, nosso Pai, continua no quarto ao lado. É só correr para lá!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Feliz dia seguinte do Aniversário.


Eu precisava deixar ao menos um bilhete na saída, fazer uma carta sem ser de despedida ou qualquer guardanapo que eu encontrasse na cozinha, um recado, um abraço, uma porção de beijos. Se não, não era Jamille.
Só que esse ano eu quis sair do tradicional, sem bilhetes, sem cartas, sem palavras escritas. Na verdade eu não quis sair do tradicional, eu estou meio fora do tradicional. E parece que tudo que eu poderia escrever algum dia, entre uma conversa e outra, já foram dito. Então não teria graça agora eu ficar só te lembrando.
Quer dizer, tem sim!
Vou te lembrar de tudo. Tim-tim por Tim-tim.
Eu sempre evito escrever sobre as pessoas, pois eu sou muito sincera nas palavras, por isso, elas saberiam exatamente o que eu penso... Talvez, por isso eu nunca te deixei um depoimento: “Ana, é isso...” Antes por insegurança, como eu poderia gostar tanto de uma amiga recém chegada, seis meses atrás porque eu já te falava olhando nos olhos... Então escolhi o dia de hoje para te fazer um depoimento não aceitável, que você poderia guardar na agenda, sem ser pelo orkut para não correr o risco de um dia deletar sem querer, nem por e-mail por pensar que talvez um dia você pudesse perder a senha, nem muito menos olhando nos seus olhos porque eu não conseguiria. Por tantos motivos, por as lágrimas, pelo soluço, pela vergonha...
"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar." Machado de Assis
Mas meus sentimentos agora neste momento invadem as linhas desse bilhete... Só para te dizer, que antes eu tinha uma tamanha insegurança por tão pouco tempo gostar tanto dessa menina loira. Tem pessoas que você sabe que veio para ficar, têm outras que você tem certeza que só está passando umas férias e têm outras que chegam e você tranca a porta para ela não ir embora. E com você foi assim... Está sendo assim.
Você veio passar umas férias na minha casa, eu tinha arrumado a casa toda, porque estava chegando visita e sempre é bom causar uma boa impressão. E causei! Mas era apenas uma visita que já tinha comprado a passagem de volta, mas eu tranquei a porta... Joguei a chave fora e não quero, e nem vou nunca lembrar o número do chaveiro. Sei que muitas vezes você abre meu guarda roupa e vê a sujeira que eu escondo lá dentro, e você tem vontade de me matar... De ligar para um chaveiro urgente e dizer: “aqui eu não fico mais.” E com toda a razão...
Na verdade você sempre teve razão... Sempre. Todas às vezes. A culpa de tudo sempre foi minha. Eu sempre com problemas dos outros, problemas meus, problemas com tudo, problemas com DEUS, você sempre me abrindo os olhos. E parece que quando eu não estou bem com Deus nos não ficamos bem, porque nossa amizade foi dada por Ele. Quando Ele não está no meio nada vai bem. Por isso, tudo tem acontecido assim, dessa forma.
Mas eu te amo, minha Lora. Não esquece... E mesmo se um dia por minha falta de Deus, eu chamar o chaveiro e abrir a porta, não vá embora. Porque eu te amo e muito, além disso, eu preciso de você... Agora mais que nunca.
Você é única e especial... Em pouco tempo juntas eu conheci várias Ana, várias... E me apaixonei por todas, quero todas ao meu lado. Escolhi está com todas. Da chata à legal, da que pedi água antes de dormir à que me deixa dormir na cama dela.
Eu escolhi está com você, poderia não está... Mas eu quero está! Quero... Quero por mim, por você me fazer feliz, por eu ter conhecido como é ter uma amiga incondicionalmente. Quero por você... Por nós.
Eu não tenho nada a lhe oferecer, queria ter muitas coisas... Mas não tenho. Minhas mãos sempre estiveram vazias... Mas eu tenho um amor gigante... Que eu guardei aqui dentro e disse: Esse é de Ana.
Te amo minha pequena, falar de você é difícil... Se fosse para eu simplificar eu diria que você é o ORGULHO de DEUS.
Obrigada por me aturar, por me amar da forma que eu sou. Obrigada por está comigo. Obrigada...
Sem você a vida seria mais difícil.
". . . e eu concluo que, de alguma forma, nossa ligação mental? espiritual? psicológica? continua sempre muito forte." Caio F.
Continua sempre muito forte...
Ás vezes eu me sinto tão longe e passa uns segundos eu me sinto tão perto. É estranho... Mas bacana é que eu nunca vou deixar de estar;
(...) mesmo que longe, mesmo que perto.
O importante na vida, não é um casamento, não é um carro, nem mesmo uma faculdade, nem um anel de brilhante, nem uma roupa de marca... Todos, exatamente todos tem isso. O mais importante é você entrar no quarto e falar com Deus sabendo que Ele é seu melhor amigo.
Você tem o melhor...o melhor presente de aniversário.
Eu até tentei entrar numa loja para comprar e lhe dar, mais a moça do caixa disse que um SENHOR já tinha levado todos da prateleira; Aí eu sair com um sorriso gigante no rosto, por saber quem era o tal SENHOR, que gosta de fazer compras e geralmente dar os melhores presentes; muito inteligente Ele...
Jam,



"A gente não faz amigos, reconhece-os!" (Vinicius de Moraes)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Moda




Gastamos a vida.
Nascemos e começamos a morrer.
A vida é como uma roupa nova.
Você ganha e vai usando...
Você escolhe os lugares onde deve ir,
Se realmente combina, se não.
Em que caminhos querem gastar a roupa
Que um dia vai ficar velha e
vão ter que jogar fora.

Com quem vai usar esta roupa nova?
Vale-se a pena usar está roupa agora?
A vida é uma escola.
Eu diria que é uma escola de moda.
Com colete, com cachecol, xadrez
Ou quadriculado, estampado,
Até florido...

Flores? Sim, pelo caminho...
Pela estrada.
(...)
A vida é uma escola de moda.

É bonita, comprei ontem.


É como se eu não fosse dessa cidade, desse mundo, desse planeta. E mesmo eu sendo tímida, sem coragem, mesmo eu sabendo que sou eu de verdade, sabendo todos meus princípios, que ninguém me ensinou, mas que eu adquirir vendo os outros serem educados, bons, simpáticos, legais.
Eu estou em outro lugar, todas as pessoas não me conhecem, na verdade ninguém nunca parou para perguntar meu nome. Talvez se você falar as características elas sabem... Mas o nome, a verdadeira identidade eles não conhecem. E ainda bem que não conhecem porque elas gostam da minha capa. Gostam da maquiagem que eu uso, gostam das roupas, gostam do meu jeito de ser, ou que pareço ser, gostam do perfume, da voz.
Às vezes eu fico com medo de dizer meu nome... E se elas descobrem que eu realmente sou. Se elas descobrem os meus pensamentos, as coisas que eu acho delas... E se por acaso elas descobrem minha verdadeira identidade.
Eu preciso ser outra pessoa para continuar com eles. E eu não sou está pessoa. Não mesmo. Eu não preciso manter está postura... Está mesma postura. Eu penso diferente.
Eu penso diferente de tudo isso aí... Mas ninguém nunca quis saber meu nome...
Nem meus conceitos.
Só olham para a capa e a capa agrada. Sempre agrada. É bonita, comprei ontem.

“É como se eu fosse um texto, em que você só leu o primeiro parágrafo, ou apenas o título, ou até mesmo simplesmente ignorou por não gostar da ortografia do escritor”

terça-feira, 11 de maio de 2010

Mãe ♥

Eu poderia fazer um texto lindo, com palavras difíceis ou até mesmo digitadas, mas quando se trata de alguém que me conhece tão bem, não preciso usar mascaras, preciso mesmo é escrever a mão, pois até os meus erros de português não tenho vergonha de te mostrar.
Desde criança te falo que a senhora é a melhor mãe do mundo. Porém, se hoje, eu já adulta e meio vivida, pudesse trocar de mãe não faria, pois amo até seus defeitos, suas correções.
Nestes 20 anos tentei ser a melhor filha do mundo, em nenhum momento consegui, tentei, tento e nada. Mas é incrível a senhora no dia que ficou sabendo que estava grávida já era a melhor mãe do mundo.
Me perdoe por não conseguir ser a filha que a senhora merece. Estou tentando. Claro que queria ser seu orgulho incondicional, mas nem sempre isso acontece, pois quando mais tento, mais sei que a senhora ganha de mim.
Você é meu orgulho e por onde passo deixo registrado que tenho os melhores pais do mundo.
A minha vida, foi e, está sendo trilhada entre meus objetivos pessoais e a sua opinião sobre eles. Na maioria das vezes a sua que prevalece.
Minha permanência na universidade em um curso meio maluco, na gráfica, na igreja, sempre foi muito mais pela senhora do que por mim. Estive lá por minha família, pois sabia que se vocês estivessem bem eu estaria melhor ainda.
Hoje não é um dia fácil, acredito que a Velha Nice faz uma falta sem igual. Seria o dia de ganhar uma saboneteira com uma onça dentro. Vovó Nice foi à pessoa mais disponível que eu conheci, ela se doava as pessoas, a família, uma verdadeira guerreira.
E filho de peixe, peixinho é...
Não conheço hoje alguém mais guerreira do que a senhora. A pena é a Bisa não está aqui para me ajudar a contar. Existe uma guerreira aí dentro, às vezes ela se esconde, mas quando é preciso ela vence as barreiras e vai à guerra.
Eu, Jeo e Painho, temos sorte de ter alguém nos orientando, nos preparando, nos fortalecendo dia após dia. E só por isso vale à pena acordar e saber que não estamos sozinhos, temos uma grande aliada.
Te amo, você sem dúvidas é a melhor mãe do mundo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Jogo de futebol





















Aproveitando que o Flamengo está em alta, mesmo eu sendo uma torcedora não muito fã de futebol, quero falar um pouco sobre o assunto.
Nunca gostei assistir jogos, mas sempre fui torcedora do Flamengo, quando ganhava eu ficava feliz, quando perdia eu ficava triste... E por aí vai.
Na verdade a reflexão a ser feita é sobre Ronaldinho. Ele fã do Flamengo desde criança agora jogando contra o flamengo. E pior tendo que levar a camisa do Corinthians, fazer gols contra o seu time de coração.
Não é só no futebol que isso acontece, na vida é muito mais corriqueira essa situação. Você tem um time de coração, gosta dele desde criança, está aqui dentro não tem como mudar algo de dentro, é seu time de coração. Mas um dia você é vendido para outro time e agora você tem jogar contra seu time.
Nos jogos de futebol você é vendido. Na vida você faz escolhas e suas escolhas algumas vezes te levam a jogar contra o seu time, aquele que você cresceu torcendo.
E como se você tivesse abandonado o seu time de coração na partida final, a partida decisiva. Mas você não pode falar para seus amigos jogadores o motivo porque está fazendo isso. Eles nunca iriam entender. Você apenas vai embora... Faz escolhas...
No outro dia aparece jogando no time oposto. Totalmente contrario o seu time de coração. Seus amigos agora acham que você é um canalha - como pode jogar no time que você está disputando à final, como você pode ter traído, eles pensam que foi uma escolha sua. Ninguém entende. Você gostaria de explicar o motivo, mas nunca entenderiam.
As pessoas te acusam, falam mal. E você só pode ficar calado.
A sua esperança é que um dia eles sabiam que a escolha não foi sua... Que você foi obrigado aí para o outro time. Mesmo jogando contra todo o seu time, na grande final você torce pelo seu time de coração. Você até pode ser responsável por algum gol contra. Mas seu sorriso só será verdadeiro se o seu time do coração for campeão.
Ninguém imagina o motivo dessa grande mudança, logo na grande final. Você não pode se manifestar tem ouvir calado cada acusação.
Agora voltando ao futebol...

“É muito fácil falar de falta comprometimento. Eu tenho 33 anos, tenho oito operações no corpo e muitas dores...” Ronaldo entrevista coletiva.
Acho que as dores de Ronaldo são outras...

domingo, 25 de abril de 2010

Estradas


“Tudo está exatamente no mesmo lugar de antes, mas tudo mudou. É assustadora a idéia de que o antes e o agora não têm nada em comum.”

Eu sempre escrevo sobre este tema. Talvez seja porque eu sempre estou mudando. É impossível crescer sem se transformar. A vida está sempre em algum ponto de mutação. Minhas mudanças sempre são simples. Pequenos detalhes que eu ia conseguindo todos os dias. Mudar a cama de lugar, o computador, pintar o escritório de amarelo, comprar um livro de um tema estranho, começar a usar roupas de mulherzinha, pintar as unhas de vermelho, fazer uma mecha no cabelo. Tudo isso já aconteceu, pequenos detalhes que para mim eram mudanças.
Estas coisas que aconteciam as pessoas notavam e elogiavam. Outras nem se quer percebiam. Eram mudanças externas, mas eu sabia que tinha algo novo na área. Pode acredita uma pessoa que só pinta as unhas de renda e começa a pintar de vermelho, as coisas mudaram. Não se engane. Mesmo que ninguém perceba, ou até mesmo só ocorram elogios. Vem coisa por aí...
Eu amo mudanças. Só que tem grande problema em mudar. Você só sabe se ela foi para o seu crescimento quando já aconteceu. Isso é complicado. Não tem meio termo tem coisas que são irreversíveis. É como acordar em um dia e querer fazer uma tatuagem e você na sua pura coragem vai lá e faz. Mas no outro dia você acorda: - Que merda que eu fiz. É mais ou menos por aí. Claro que você pode acordar e achar ela mais linda do que nunca, a sua tatuagem é a melhor de todas. Mas só podemos ter uma opinião bem sólida quando a poeira baixa e no outro dia você ACORDA e olha bem para ela.
Nem sempre as mudanças são para um crescimento. Ela pode ter levar a ter 5 anos de idade novamente. Isso depende onde a estrada se bifurcou e qual caminho você ter a coragem de seguir. Coragem nem sempre é acertar o caminho. É preciso ter coragem para ir pelo caminho errado. Para ir pela estrada certa precisamos de uma decisão e o errado de coragem. Por isso sempre me dou muito mal, pois coragem tenho de sobra e decisão é uma coisa que me falta “coragem” para ter.
A minha sorte é que não fiz uma tatuagem, rs. Mas tem coisas que são mais fortes que ela. Marca bem mais, não saem do seu corpo com uma esfregada de sabão. Marca sua mente, sua alma, seu coração. Quem fez a tatuagem vai se lembrar daquela mudança, mal resolvida, sempre que olhar para aquele bendito desenho. Tem pessoas que não tem uma tatuagem para se lembrar, mas tem tantas outras coisas que fazem elas retornarem aquele dia terrível cheios de confusões.
A parte boa das mudanças é que sua vida toma um novo rumo. Mesmo que você volte há ter cinco anos, você não ficou parado. E assim que percebe que regrediu, volta e corre contra o tempo buscando tudo que foi perdido. É como mudar de cidade, você perde cartas, seu guarda roupa quebra, roupas ficam na casa antiga, amizades ficam para trás, por causa da distância, mas sempre temos tempo de reconstruir (quase) tudo que foi deixado para trás por causa de uma simples mudança.
Claro que não podemos esquecer aquelas mudanças que nos levam para frente. Levam-nos a ter uma maturidade de 30 anos e junto com esta tal maturidade tantas outras coisas boas que faz valer a pena, ninguém percebeu mais que gritou a ponto de todos tomarem um susto. Um grande susto. E mesmo sem você dar uma só palavra todos abre a boca e falam por você.
As pessoas notam que o esmalte da unha, de um tempo atrás, estava avisando que daqui um tempo vinham coisas por aí. Que a mudança no cabelo, as roupas, as manias, só eram a fumaça da fogueira que está pegando fogo. E ninguém notava... Mas agora nota.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Nova Vida


Há muito tempo eu precisava tomar um novo rumo, uma nova direção em minha vida. Esse momento chegou! Não é questão de entregar o velho, até porque o velho me fez quem sou hoje. É uma questão de mudança no percurso. Novos objetivos. Sinto-me hoje uma adolescente que precisa decidir que curso fazer no vestibular, uma decisão séria, que muda sua vida, que muda seu futuro, que define seus planejamentos pessoais.

Preciso organizar minha vida, está tudo uma bagunça. Preciso arruma a casa e dessa vez tirar essa ação do verbo e fazer dela uma AÇÃO de verdade. Cansei de ensinar a todos limpar a casa e quando olho para minha está uma bagunça. Preciso de um novo começo, um novo percurso. Uma casa nova, pois a velha está com as paredes sujas, os copos quebrados, tudo fora do lugar, não vou dizer que é impossível reconstruir, mas é bem mais fácil comprar uma nova onde tudo já está lugar, no seu perfeito estado.

Tem momentos em que minha vontade era fazer uma limpeza na casa velha, era tirar tudo para fora limpar, lavar, esfregar. Sacudir os tapetes, tirar a poeira dos livros. No entanto não desfazer de nada, afinal é tudo que eu construir no decorrer dos anos. É tudo que eu formei com as próprias mãos. Pois minha casa é bonita, tudo bem que o jardim tem um tempo que eu não rego, tudo bem que as flores estão quase morrendo, tudo bem que o quintal está imundo. Mas eu tenho forças para recomeçar, forças não me faltam, nunca me faltaram, o que me falta é um bom motivo, uma boa desculpa, um bom pretexto.

Outros momentos penso que mais fácil do que fazer a comida, preparar o feijão, arroz, fritar a carne, é ligar e pedir a comida pronta num restaurante legal da cidade. Tudo bem que a comida não vai ter o aquele tempero, tudo bem que não vai ter aquele carinho de você mesma fazer tudo. Tudo bem... Mas chega rápido, tudo pronto em suas mãos, nada de sujeiras, nem bagunças.

Na verdade dentro de mim, grita: “hein, eu quero aquele escondidinho que você faz que é uma delicia” e eu poderia até fazer, mas para eu comer sozinha que graça tem? Sem um bom motivo, uma boa desculpa, um bom pretexto, nada tem graça. E por isso muitas vezes nós não arrumamos a casa, não colocamos as coisas no lugar, nos não gritamos coisas que estas entaladas, há um tempo, no nosso pescoço. Pois falta um bom motivo. E por vezes ligamos e pedimos tudo pronto. Sem trabalho nenhum. Simplesmente mudamos de casa, mesmo sentindo falta do nosso travesseiro, que é único. E sempre será!

Quero sim uma nova vida. Mas também quero saber se vale à pena arrumar a minha casa, ou se é melhor mudar para outra casa onde tudo já está pronto no seu devido lugar. O que me faltava é um bom motivo, uma boa desculpa, um bom pretexto, mas esse eu já encontrei.
Para Ele, aquele abraço.