
segunda-feira, 30 de março de 2009
Cidades que transformam igrejas
A Igreja, desde a Idade Média exercia sobre povo um poder que excedia o do Estado. Ela foi a instituição mais poderosa da sociedade medieval do Ocidente, sendo tão rica e temida, a Igreja detinha também grande poder político. Desde esse tempo, a Igreja tem o poder sobre a cultura, tem o poder sobre os seus povos, tem o poder de transformação. A grande dúvida é saber se as escamas estão caindo. Em sua música “Filho de Davi”, David Quinlan clama a Deus para abrir seus olhos: “Filho de Davi tem compaixão de mim, toca nos meus olhos, faz as escamas caírem”. Sei que esse é o desejo que arde no coração de muitos, no entanto, é muito mais cômodo ficar sentando, enquanto os outros leem a Bíblia, expõem o seu ponto de vista e nos apresentam o deus que eles conhecem.
As pessoas desejam voltar ao primeiro amor, pois quando se tem a sensação do primeiro amor, ele basta, não há necessidade de poder, de milagres, somente de ser cuidado e ser amado por Deus. E quando essas pessoas tentam voltar a esse primeiro amor, elas dão mais importância às pessoas, o que é fundamental para Deus. Elas deixam de lado as diferenças e olham para a cruz, não esperando mais só o mover das águas.
De volta aos dias do Velho Testamento, Deus queria que sua casa, o templo em Jerusalém, fosse um lugar onde as pessoas de todas as nações pudessem ir e orar a Ele com alegria. Será que a igreja que Paulo revela, o templo de Deus que está em nossas vidas, como foi citado em I Coríntios 6:19, ainda existe? Ou se sequer existiu um dia?
Ainda existem igrejas que, apesar de suas falhas – que todas têm - acolhem e cuidam do seu povo, se desviam dos escândalos e acolhem a Bíblia como verdade. E quando eu falo igreja, não falo denominação, mas sim pessoas anônimas, pessoas que estão fora da mídia, pessoas que vivem “a casa de oração”, pois cada um de nós é templo, é igreja. E quando perguntarem “ainda existem igrejas que transformam cidades?”, eles perguntarão olhando para nós, pois somos a igreja.
É de responsabilidade dos líderes serem exemplos para os fiéis, mas é também responsabilidade sua ser um exemplo para o mundo aí fora. De acordo com o capítulo 10 de João, é responsabilidade dos líderes serem um bom pastor e não um mercenário que quando vê os lobos, foge e deixa as ovelhas. Ele foge porque ele não tem cuidado com as ovelhas. “Nisto conheceram que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Onde está este amor? O amor que ensina, o amor que corrige, o amor que prega a verdade, doa a quem doer. Temos que interpretar a Palavra e depois temos que praticá-la. Isto não é uma tarefa fácil.
O mundo tem transformado as igrejas. Não se sabe mais diferenciar o joio do trigo, o sal da terra, eles se confundem com esse mundo secular que se denomina igreja emergente.
E eu me pergunto onde fica a história sim, sim, não, não e o que passar disso é maligno.
Em Efésios 4:12-13, diz: “ Não deve limitar-se a evangelizar. Mas também levar à maturidade cristã.” Como podemos evangelizar se não conhecemos o que estamos falando? Como vamos chegar a uma maturidade cristã, mostrar a verdade que liberta, se estamos cobertos por escamas humanas?
Jesus foi provocado até a ira santa quando ele encontrou a casa de Deus sendo usada como um mercado, ao invés de ser usada como um centro de bênçãos para as nações. E eu imagino esse mercado não como um comércio de vendas e compras, mas um comércio de barganhas espirituais. Esforça-se muito para "vender" o Evangelho. Alardeiam-se os benefícios da fé. Basta observar a enormidade de tempo gasto divulgando os horários dos cultos, a eficácia da oração, mostrando que aquela igreja é melhor e que a sua mensagem é a mais forte para resolver todos os problemas das pessoas. Aborda-se o Evangelho como um produto eficaz e adota-se uma mentalidade empresarial no seu anúncio. Promete-se enormes possibilidades. Trata-se as pessoas como clientes e, sem constrangimento, anuncia-se que qualquer um pode adquirir esse determinado benefício com um esforço mínimo. As igrejas se transformam em balcões de serviços religiosos ou “supermercados da fé”. Como um supermercado com as gôndolas recheadas de produtos, as igrejas procuram incrementar os "serviços" ao gosto dos fregueses.
As pessoas, por sua vez, se achegam, seduzidas pelas promoções das prateleiras eclesiásticas. Esse modelo induz as pessoas a adorarem a Deus por aquilo que ele dá e não por quem é. Não se anuncia o senhorio de Cristo, mas apenas os benefícios da fé. Os crentes acabam tratando a Bíblia como um amuleto e, supersticiosos, continuam presos ao medo. Vive-se uma religião de consumo. Jesus dialogou com uma mulher samaritana e ofereceu-lhe uma água viva. A mulher imaginou essa água com raciocínios concretos. Pensou que ao beber nunca mais teria sede. Uma água dessas hoje, devidamente comercializada, seria um tesouro sem preço. "Dá-me dessa água e assim nunca mais terei que voltar aqui". Jesus corrigiu a linha de pensamento daquela mulher. A água que ele oferecia não era uma mágica, mas um relacionamento: filhos e filhas adorando ao Criador em espírito e em verdade. Infelizmente, muitos evangélicos brasileiros propagandeiam a água mágica. Matando a sede de qualquer um no estalar de dedos. Se não voltarmos aos fundamentos do Evangelho, teremos sempre clientes religiosos, nunca seguidores de Cristo.
Acredito que Jesus olha para “os compradores da fé” com os mesmos olhos que olhou para a mulher que lhe pediu que curasse sua filha. E ele diz: “Não é justo que tire o pão dos meus filhos e dê aos cachorros”.
A frase "Grandes poderes trazem grandes responsabilidades", de Benjamin Parker, se encaixa de forma significativa neste contexto. A Igreja possui um poder que traz para si uma responsabilidade que, talvez, a mesma não se dê conta. Ela oferece de muitos púlpitos não o evangelho de Jesus Cristo, mas um mero combustível religioso. Alguém disse (infelizmente, não me lembro quem) que “a religião é a água límpida que corre em veias defeituosas”. Mas eu ainda acrescentando que como David Quinlan clamasse a Deus para abrirem seus olhos, as veias continuaria defeituosa, mas pelo menos seria debaixo de um temor pelo que se fala e se faz, abrindo os olhos e deixando as escamas escorregarem.
O nome de Jesus tem sido ofuscado pelas variadas denominações que são diretamente responsáveis por isso. E é cômodo ser assim, é mais prático agir dessa forma. É a expressão do poder sem responsabilidade.
A Igreja é o sal deste mundo. Conserva, dá sabor e mantém um relacionamento equilibrado. Influencia, jamais é influenciada. Marca presença no mundo e por ele é respeitada. Nas palavras de Jesus, a Igreja, embora parceira do mundo, não se contamina com o seu mal. No fim, o mundo pode até odiá-la, mas por vê-la coerente, haverá sempre de respeitá-la. Esta é a porta para que ele seja transformado. Mas será que a Igreja tem transformado ou está sendo transformada? E com isso, colocando escamas nos olhos “do sal”. Temos que [re]pensar a Igreja, pois o mundo está transformando o sal que tempera, em sal que é pisado pelos homens. E [re]pensar a Igreja que está transformando o mundo, deixando as escamas cada vez mais empoeiradas.
Para Ele, aquele abraço.
sexta-feira, 6 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
O Grande Mar
A história de Noé e do dilúvio relata o que aconteceu com a humanidade devido à sua desobediência para com Deus. O Senhor havia se arrependido de ter colocado o homem na terra, pois esse era carnal e a maldade estava se multiplicando. A espécie humana não poderia continuar naquele estado de perdição, e assim Deus resolveu destruir toda a terra.
Logo que começa a história de Noé, o texto nos mostra que ele era um pai de família, homem direito, que sempre obedecia e era o único que estava em comunhão com Deus. Naquela época, o Senhor estava arrependido de ter criado a raça humana, pois as pessoas eram más e sempre pensavam em fazer coisas erradas.
Noé começou a construção da arca e todos zombavam dele, já que não acreditavam em suas histórias de destruição do mundo. Mas, mesmo assim, ele seguiu em frente e obedeceu a palavra de Deus. "Ninguém nunca viu a Deus. Somente o Filho único, que é o mesmo que Deus e está perto do Pai, foi quem nos mostrou quem é Deus." (Jo. 1.18 BLH). Ele não via, porém sentia. Eu imagino isso nos dias de hoje, quando você tem um sonho e as pessoas zombam, não acreditam. Isso me lembra a história de Ana, quando ela orava a Deus pedindo um filho (Samuel), um homem passou e achou que ela estava bêbada e começou a dizer: “mulher, por que você bebeu?”, mas ela disse: “não, eu estava orando”. E é assim que acontece. As pessoas não sabem o que estamos fazendo, o que queremos. Acham-nos doidas, zombam. Igual aconteceu com Noé.
Algo que me chama atenção no texto é que Noé não entrou na arca sozinho: a família dele entrou também. Ele era o escolhido, mas liderava, carregava e era responsável pela família dele. Talvez até os familiares de Noé fossem também pessoas más. No entanto, Deus falou: (verso 18) – “Eu vou fazer uma aliança contigo, portanto entre na barca e leve sua família”. Por isso que muitas pessoas falam que quando você adora, sua família é tocada. Eu acredito que quando você serve ao Senhor, você tem uma família que depende de você, depende da suas orações, uma família que você leva figuradamente nas costas. Pode ser a família de sangue ou uma família adquirida na caminhada da fé. Existem pessoas que dependem de você, que olham para você e veem a semelhança de Cristo, que esperam de você sempre atitudes Dele. Ai você me pergunta: “mas eu tenho apenas 10 anos de idade”! No entanto, quando você diz: “Papai do céu, abençoe minha mãe, meus irmãos, meu pai que está no trabalho”, Deus lhe diz: “Ora meu filho, pode orar, pois teu é o meu reino”.
Quando o Senhor pediu a Noé que entrasse na arca, Ele falou para que colocasse dois animais de cada espécie. E eu fico imaginando para que Deus precisava dos animais? Porque Ele sabia que Noé iria precisar quando terminasse o dilúvio. No mesmo sentido, eu me lembro da Santa Ceia. Jesus iria morrer e fez uma festa um dia antes. Desta vez iria acontecer um dilúvio e Deus estava vendo o futuro: “Olha, guarda uma galinha, pois irá ter festa daqui a um tempo, vamos fazer uma galinha assada”. Sabe o motivo disso? DEUS se preocupa com nossas necessidades, com o nosso futuro, com o vestibular, com o namoro, com as contas a serem pagas, preocupa-se com você, com o que você precisa para ser feliz. Ele sabia que Noé iria precisar daqueles animais assim que o dilúvio acabasse.
O Cap. 7;5 diz que Noé foi obediente em tudo. A obediência é algo que nunca devemos deixar de ter. Isso me lembra muito um provérbio: "Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque será diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço." Pv 1.8,9. Acredito de verdade que Noé se lembrou disso (figuradamente). Afinal, quem não é obediente às autoridades, a seus líderes, como vai ser a DEUS?
A necessidade de Noé, naquele momento, era construir uma arca para aguentar o dilúvio. Noé fez tudo como Deus mandou. Ele mandou Noé construir uma arca e deu todas as instruções, como se fosse uma bíblia para construções de arcas. No entanto, Deus deixou uma bíblia aqui na terra, inspirada por Ele, para nós construirmos o nosso caráter. Ocorre que muitos tentam economizar na madeira. Tentam tirar as janelas e acrescentar portas onde Deus não pediu. Interpretam como bem querem, mas no fundo sabem, pois o Espírito Santo conduz a uma verdadeira identidade. Deus está mais interessado em seu caráter do que em seu conforto, Ele está mais preocupado com sua santidade do que com sua felicidade. Eu fico aqui imaginando se Noé fizesse a arca do modo dele. Será que ela aguentaria um dilúvio? Será que você, construindo sozinho uma arca, ela aguentaria 40 dias de chuvas fortes?
(verso 6) Mostra que Noé já era um homem velho, que tinha debilidades, que não andava mais sem bengala, que tinha dores na coluna, que sentia um mal estar quando pegava peso, dor de cabeça, talvez pouca visão, no entanto ele fez tudo como DEUS ordenou, sem reclamar, mostrando-nos que, mesmo sendo difícil fazer a vontade de DEUS, mesmo que ela não seja a nossa vontade, que seja contrária à nossa escolha (ah, tenho um chamado para limpar o banheiro da igreja), mesmo assim ele obedeceu e foi salvo.
(verso 16) Noé já tinha feito tudo, construído a arca, trabalhando, suando, e DEUS vai lá e fecha a porta da arca para mostrar: “Eu estou aqui, estou cuidando de você, Eu mandei e você me obedeceu e Eu estou presente. Ele mostra que quando estiver em algo que começou, Ele vai até o fim, te protege e cuida de você. “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Filipenses 1:6.
(verso 24) Só cento e cinquenta dias depois é que a água começou a baixar. Aí eu penso: mas DEUS, todo poderoso, assim que todas as pessoas más morressem, o senhor não poderia baixar a água imediatamente e Noé descer com sua família? Por que demorou tanto? Acredito que Noé não era perfeito. Deus precisava fazer um tratamento com ele dentro da Arca. Mesmo você sendo servo do Senhor há 20 anos, ele tem algo novo para você, sempre. Mesmo você sendo o verdadeiro adorador, o líder de jovens, o líder do louvor, mesmo o pastor. Isso me lembrou muito um livro chamado “A cabana”, no qual um homem teve uma grande perda e DEUS o levou para o local onde aconteceu tudo, para tratar dele. Deus pegou na ferida e fez como uma enfermeira quando limpa, cuida e passa o remédio no local. Arde um pouco, dói, mas você é curado. (O ouro prova que é bom no fogo e o diamante só fica bonito lapidado). E foi isso que DEUS fez com Noé demorou de baixar as águas para ele ser transformado em alguma área da sua vida. É igual passar pelo deserto 40 anos. Deus tem o poder para mudar isso em um segundo, no entanto você precisa ser curado para saber aproveitar a verdadeira primavera.
(cap. 8; 15) Deus diz: “Noé, saia da arca”. Deus fechou a porta e agora manda Noé sair. Ele estava no começo e no fim. Na hora da tristeza e da alegria. Na hora que você pediu o colo, que quis o afago e no momento que recebeu o resultado do vestibular, do emprego novo, do nascimento do primeiro filho. Noé tinha soltado um corvo e este não retornou à arca. Passados alguns dias, Noé soltou uma pomba e esta retornou. Passados mais alguns dias, Noé soltou novamente uma pomba e esta retornou com uma folha nova de oliveira. Noé tinha visto que a água tinha baixado e mesmo assim ele esperou Deus mandar sair, confirmando a Noé que estava tudo bem, que ele podia ir tranqüilo, pois Deus estava com ele. Há momentos que precisamos escutar primeiro a voz de DEUS, mesmo que tudo pareça perfeito. O caminho pode parecer lindo, mas é preciso que DEUS confirme no coração, é preciso escutar a voz de DEUS. (Não, mas esse menino é crente, lindo, não tem como não ser ele.) Escuta a voz de Deus. A paz Dele te conduz.
(verso 20) Noé, agradecido por tudo que o Senhor tinha feito com ele, constrói um altar para oferecer a DEUS um sacrifício. Se isso fosse hoje, o sacrifício não seria assim, pois a salvação é pela graça. Mas DEUS iria te pedir um “sacrifício” grande: seja obediente com seus pais, trate bem seus irmãos, trate bem as pessoas, pois elas são minhas filhas. O maior sacrifício é olhar para o seu irmão, cheio de defeitos, como você, e o amar como a si mesmo.
(cap. 9; 13) Deus diz: o sinal da aliança que eu tenho com vocês é o arco-íris, quando eu cobrir de nuvens o céu e aparecer o arco-íris, eu me lembrarei da aliança que eu fiz com vocês e com os animais. Com os animais? Deus se lembra das suas necessidades, da festa depois das atribulações. DEUS tem um compromisso com você e as promessas que ele te deu. Ele tem um compromisso com a sua casa, com sua família, com os nomes que você apresenta para Ele e com tudo que você apresenta a Ele.
A história de Noé me impressiona muito e eu sempre peço a Deus para Ele me colocar na arca do amor Dele, para me proteger e que eu só saia de lá quando estiver pronta para ir. Deus precisa do seu compromisso, Ele precisa que você vá. Ide por todo o mundo e pregai o evangelho. Quando as pessoas escutam “Ide”, elas pensam em sair, deslocar, mas esse “ide” é uma ação, é fazer, é mudar. O “ide” começa dentro de você. Mude primeiro, e depois cumpra com a missão que lhe foi dada. Vá, vá sem olhar a quem, Ame como a si mesmo. Foi isso que Noé fez: ele foi.
Hebreus 11:7 - Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.
