Por volta de 1960, centenas de mulheres se reuniram em frente
ao teatro onde era realizado o concurso Miss América para protestar contra a
ditadura de beleza imposta às mulheres da época. As manifestantes levaram para
o ato alguns símbolos da feminilidade ou instrumentos de “tortura”: sapatos de
salto alto, maquiagens, espartilhos, cintas e, claro, os sutiãs. Esses objetos
foram reunidos e colocados em uma lata de lixo para serem queimados. A luta do
feminismo começou e não parou mais.
Direito a voto, o dia internacional da mulher, a escola
normal para mulheres, as Olimpíadas Femininas, igualdade de remuneração entre
trabalho masculino e feminino para função igual, mulher astronauta, Conselho Nacional
dos Direitos da Mulher; são essas, entre outras, as grandes conquistas das
mulheres desde o século 20. Isso tudo foi fruto de muita competência. Não foram
hábitos, foram lutas.
Já os homens, “privilegiados” durante todo esse tempo, foram criados
e educados para não ter medo de barata, não fazer xixi sentado, ganhar mais que
a mulher, não fazer trabalhos domésticos, não poder ser vaidoso, não negar
“fogo”, não poder ser o filhinho da mamãe, não discutir a relação e hoje tentam
desconstruir todo esse aparato de regras. As mulheres chegaram num outro
patamar e agora são os homens que buscam direitos iguais. Hoje existem salões só
para homens, clínicas de estéticas só para homens.
Ineditamente, no primeiro encontro, elas chamam o garçom,
escolhem o vinho e a conta do restaurante é naturalmente dividida. Algumas
delas são tão independentes que transparecem não precisar de ninguém, mas são
sentimentais, por vezes solitárias e, por isso, grandes parceiras de farras e
roubadas.
Muitos anos atrás, as mulheres casadas só podiam trabalhar
fora de casa se o marido permitisse. Hoje elas são as CEO das grandes empresas
e das famílias. E assim as mudanças, que começaram com uma pequena luta pelo
respeito, se tornaram uma luta para ter grandes mulheres no poder: Margareth
Thatcher, Michelle Bachelet, Cristina Kerchner, Hillary Clinton, Condolezza
Rice, entre outras.
Vinte anos antes de Dilma Rousseff nascer as mulheres não
podiam nem votar aqui no Brasil e hoje, ela é a primeira mulher Presidenta da República,
reeleita agora em 2014. Uma mulher como qualquer outra, claro se não fosse
Presidenta da República, mãe, avó, que gosta de cozinhar. Firme, decidida,
brava e principalmente humana. De sapato simples ao contrário das mulheres
burguesas que foram protestar por “mudanças”. E com uma porção de defeitos que
- nós pobres mortais – também somos cheios.
Claro que não iríamos imaginar que fossemos tão longe, mas
fomos. Chegamos lá, essa que é a verdade. As mulheres mostraram a que vieram. Hoje
são os homens que lutam para ter os mesmos direitos que agora nós, o tal “sexo
frágil”, temos. Eles buscam o direito até mesmo de simplesmente chorar quando for
preciso chorar.

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