quinta-feira, 30 de setembro de 2010

(Parte II)


Muitas pessoas levam um susto quando eu falo que sou apaixonada pela publicidade: “Como assim, uma estudante de economia?” Mas, é a pura verdade. Soa estranho dizer que alguém que estuda para alocar os recursos naturais e distribuir a população e cada vez mais estuda a conscientização para a responsabilidade da economia ao meio ambiente, goste de fazer anúncios que levam as pessoas a consumir mais, fazer com que toda a responsabilidade de um economista e sua responsabilidade social desapareça, é estranho.
A publicidade é uma atividade profissional dedicada à difusão pública de idéias associadas a empresas, produtos ou serviços, especificamente, propaganda comercial. Certa vez um dos mais conceituados publicitários do Brasil, Roberto Menna Barreto disse o seguinte: “As pessoas me perguntaram se eu ensino como ser criativo. Eu lhes respondi contando a história daquela senhora que entrou numa loja e perguntou à vendedora: — Eu gostaria de comprar uma camisola preta bem sensual e provocante. — Minha senhora - respondeu a vendedora -, podemos lhe vender uma camisola preta. O resto é com a senhora...” Eu guardei essa história comigo, ela me diz tanta coisa. Tem gente que estuda publicidade que lêem livros sobre criatividade, mas eu diria que a publicidade não se estuda não se aprende a ser publicitário. Você pode ter uma camisola preta se não for sensual e provocante o efeito não será o mesmo.
Diariamente eu vivo um conflito de idéias sobre a economia e a publicidade. Eu adoro a idéia de responsabilidade social, acredito que se uma pessoa que tem um celular que faz ligações recebe ligações não tem necessidade de trocar de celular a cada três meses. O que será do mundo daqui alguns anos, as calças jeans vão ter que vim com cincos bolsos, um para cada celular. Porém, quando partimos para uma situação pior. Carros, o transito, congestionamento. Como será daqui dez anos onde vamos colocar os 1.000(mil) carros vendidos por dia em São Paulo? Isso me assusta.
Mas depois me sobre vem uma onda de paz que é saber que o ser humano é capitalista por si só. Ele não precisa de uma ajuda de um publicitário para gastar de forma errônea. O preço está barato vamos às compras... Saiu uma novidade vamos às compras... O que a propaganda faz é só avisar que o preço está barato e que lançou um novo celular de três chips. O papel da publicidade é determinante na divulgação, distribuição e venda desse produto. Mas a responsabilidade de comprar o que não precisa só porque é lançamento, é exclusivo, é novo, estar barato é totalmente nosso. Nos somos capitalistas.
Vira e meche escuto as pessoas falando sobre novelas o ultimo capitulo é hoje, você viu o marido traio a amante com outra amante. O grande programa da televisão é a publicidade. Sim, não são as novelas, os filmes ou as séries, por exemplo, que são interrompidos para passar a publicidade, o que é interrompido é a publicidade e esses programas de entretenimento não passam do intervalo desta. As novelas são as mesmas, sexo, traição e mentira, o que muda são as roupas, os personagens, as casas, se vai ser aqui no Brasil ou fora, o que muda é os detalhes, o enredo é o mesmo.
Sim, eu fico aqui defendendo a publicidade, por ser minha grande paixão, mas temos também que olhar o lado obscuro da coisa. O ser humano é cheio de necessidades, mas essas necessidades “desnecessárias” só apareceram com o assédio a que a mídia nos expõe e que nós, ao deixarmo-nos “violar”, fazendo com que cresça. Mas vejamos bem, nós nos deixamos nos violar. E falando em violar me lembrei de uma história que um grande amigo meu me contou, ele me disse que esses dias que desligou o telefone e quando uma pessoa encontrava com ele na rua falavam: “Mas, moço, estou te ligando a um tempão e você com o seu celular desligado?” Ele respondeu: “Sabe o que é moça, é que o celular é meu, então usei e desliguei.” Nós não percebemos, mas estamos sendo violados pelos os celulares sendo obrigado a ficar disponível 24 horas por dia à qualquer pessoa e ser por um acaso desligarmos o nosso próprio celular escutamos: “ você tem celular para que?”. Aí se isso acontecer com você diz como meu amigo: “O celular é meu e eu desligo quando quiser”.
“Propaganda serve, sabe para quê? Para se ganhar dinheiro! Para se ter tempo! Tempo de escrever, de ler, tempo de produzir coisa séria!” Menna, sábio, já sabia o que estava dizendo.
É difícil acreditar que, atualmente na Argentina você pode estudar medicina online, que a célula tronco pode salvar vidas e que a terapia combinada aumentou a sobrevida dos portadores de HIV. O sistema capitalista ajudou nessas conquistas, não podemos ser cegos diante disso. O sistema capitalista como tudo na vida tem seu lado bom e ruim. Os avanços tecnológicos e na saúde é ligado a um grande avanço desse sistema.

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