quinta-feira, 15 de abril de 2010

Parada Obrigatória


Eu estava sentada no ônibus vindo do colégio, com livros nas mãos, um pouco de sono. Sem o fone de ouvido, pois a bateria tinha acabado. O pensamento, este não sei onde estava; ali é que não era.
Os olhos fixados na janela que mostrava o mundo, a paisagem, o universo, as estrelas. O frio era congelante, afinal já era tarde da noite, cruzei os braços mais nada adiantava. Eu estava muito longe, não escutava as pessoas dentro do ônibus, meus pensamentos bloqueavam qualquer barulho.
Bonita? Impossível, depois de um dia inteiro de trabalho e logo após quatro aulas do outro lado da cidade, não tinha mais maquiagem que reagisse. Eu estava crua, sem mascaras. Se isso é bom? Talvez, por um lado.
Estava no final de um dia movimentado, cansada, exausta. Queria naquele momento só meu quarto, minha coberta, meu travesseiro e um copo de leite quente.
Porém, a noite acabava de começar...
Outro ônibus parou ao lado do meu, os motoristas estava conversando sobre o jogo, parece que o flamengo tinha ganhado. Como eu não sou muito fã de futebol continuei olhando para a janela, e na minha frente, logo na minha frente, está uma pessoa com os olhos fixados em mim.
Me deu um sorriso tímido que dizia apenas boa noite educado, mas para mim era bem mais que aquilo. Naquele momento pensei que ela poderia está só sendo legal. Afinal, o ônibus nos colocou frente a frente. Mas também está tal pessoa poderia ter me achado o mesmo que eu achei dela, claro?! Mas isso eu nunca iria saber.
Era uma pessoa correta. Roupas e cabelo no lugar; Isso não importa. Quer dizer importa sim. Pelo menos um pouco. Amei a roupa, eram normais, roupas de quem estava indo para casa depois de um dia corrido, provavelmente também estava vindo da faculdade, mas eram roupas lindas. Isso eu não tinha dúvidas.
Aquele ônibus poderia ter quebrado ali; na verdade os dois ônibus simultaneamente. Mesmo sendo quase meia noite não iria me importar. Nunca iria pedir o numero do telefone, nem e-mail, muito mesmo o msn, mas só de ficar dez minutos olhando fixamente para está pessoa era como se eu tivesse todos os meios de encontrá-la. Ao invés do msn eu sabia a cor dos seus olhos, ao invés do telefone a cor predileta, ao invés do e-mail sabia como era o sorriso.
Está tal pessoa era diferente de tudo que eu já tinha visto antes. Ela não tinha nenhuma beleza fantástica, pelo contrario era uma pessoa bastante simples. A sua estatura não sei, pois esta tal pessoa estava sentada. Mas quer saber isso pouco me importa. Os olhos eram lindos. Meu Deus que olhos. Na verdade o nariz também, a boca, o conjunto, tudo.
Em vinte segundos de uma parada corriqueira eu gravei aquele rosto como um desenho na minha mente que tinha me encantado apenas pelo sorriso sem saber absolutamente nada sobre está misteriosa pessoa.
Para minha tristeza o motorista buzinou e seguiu seu destino de sempre.
Será que vou ver este rosto novamente? Não sei. Mas se por acaso isso ocorrer à parada vai ser obrigatória.

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