quarta-feira, 11 de julho de 2012

2012 está dose!


O ano em Vitória da Conquista começou com requisitos da greve da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), que fez com que boa parte dos 9.292 estudantes regressassem para suas casas, no ano passado. O que, economicamente, é uma grande perda para cidade. Ainda bem que Conquista tem outras universidades! Temos aqui três particulares (Fainor, FTC, Juvêncio Terra), uma estadual (Uesb), duas federais (Ufba, IFBA), uma a distância (Unopar) e ainda as pós graduações (Pós-grad, Unigrad). Um leque de opções para os 310.129 habitantes no município, segundo o ultimo censo.
Caminhando um pouco mais e chegando perto do carnaval, aconteceu a greve da polícia militar. As pessoas ficaram com medo de sair de casa, só após 12 dias muitos conflitos, roubos e até mortes em função da paralisação, os policiais decidem encerrar a greve que ameaçou o ano letivo de grande parte dos alunos. Ainda assim é a vez dos professores da rede estadual fazerem suas reivindicações que já passam de 84 dias. “Continuamos abertos a negociações, mas enquanto ela não acontece vamos manter o movimento,” diz Marilene Betros, vice-coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB). Somando os doze dias da greve dos políciais militares no início do ano, quando as escolas também fecharam, já são 96 dias sem aulas este ano na Bahia. Esses eventos acima citados afetam o ciclo econômico. As pessoas deixam de pegar ônibus, táxis, ir ao supermercado; exemplos simples que atingem diretamente a economia local.
Mais adiante, para a educação e segurança não ficarem sozinhas nessa luta, chegou a vez dos médicos também fazerem suas reivindicações à saúde pública. “Sempre que tem uma situação dessas (paralisação), o médico é colocado como culpado, mas queremos mostrar à sociedade a precariedade que estamos vivendo hoje”, diz o vice-presidente do Sindicato dos Médicos, Francisco Magalhães. Muitas pessoas da zona rural se deslocam para a cidade com necessidades médicas; com a greve isso ocorre apenas em casos extremos, afetando novamente esse fluxo de dinheiro na cidade.
Andando um pouco mais e chegando ao mês de maio, o Sindicato dos Rodoviários de Vitória da Conquista, juntamente com motoristas e cobradores das duas empresas que operam na cidade (Serrana e Vitória), decidem começar a paralisação, e assim, a população da terceira maior cidade da Bahia fica sem o transporte público. Analisando isso economicamente e tendo em vista que milhares de pessoas dependem dos transportes públicos para sua locomoção para o trabalho, estudo e lazer. Mais uma vez um empecilho para a economia: fazer o dinheiro “girar”: comprar, pagar contas, receber, investir.
Chegando ao mês de junho, as manchetes eram sobre a falta de chuva. É a pior seca em 47 anos, ela se agrava e atinge quase três milhões de pessoas na Bahia. Em alguns municípios a situação tem sido mais grave como é o caso de Abaré, onde os prejuízos na agricultura alcançaram o patamar de 100%. E assim, podemos imaginar o que significa isso para a economia? Quantos produtores rurais perderam capital com a seca e subsequente deixaram de investir na economia local? Teremos essas respostas nos efeitos econômicos, que já se mostraram com sinais fortes.
Observando de uma forma geral: o ano é eleitoral, a prefeitura retém gastos públicos. Os contratados retraem seus consumos pela suposta instabilidade do emprego. A crise que o mundo se encontra contribui para o ano entrar para a história, infelizmente negativamente. Enquanto os PIBs de China e Índia em 2011 cresceram, respectivamente, 9,2% e 6,9%, tivemos um desempenho no índice de 2,7%. Um dos piores desempenhos de toda a América Latina. O governo não tem estímulos para gastar, e assim, novamente nos deparamos com uma falha na engrenagem da economia. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o crescimento dos últimos trimestres foi bem abaixo da capacidade do país.
Acima estão alguns fatores que contribuíram para o ano de dois mil e doze ser um ano, especificamente para Conquista e região, economicamente complicado. As pessoas não consomem (greves, greves e greves, seca, ano eleitoral, crise mundial e o caminho que o Brasil está tomando as decisões públicas com o governo Dilma) são alguns fatores que podem explicar esse visível ano, economicamente, ruim que afeta diretamente na indústria, comércio e serviços.
Jamille C, Dias
Graduanda em Economia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Apenas uma rodoviária


Escutando esse nome – rodoviária -, lembro, ligeiramente, de uma multidão de pessoas, todas com bagagens, bolsas e objetos de mão. A rodoviária é um lugar de passagem, raramente você vai ouvir alguém dizer: “-Eu moro aqui.”. É um lugar de despedidas e chegadas de velhas e novas pessoas. Essas pessoas podem ser outras pessoas, ou até vindas e idas de você mesmo.

As bagagens podem ser as lembranças, as marcas, as histórias, o passado, e se olharmos atentamente, iremos perceber que as pessoas seguram suas bagagens com força, com medo de perder, com medo de se perder.

A rodoviária é o lugar de encontrar pessoas que você nunca viu e que nunca pensou que iria ver. As pessoas geralmente estão sérias ou com muito sono, ou muito cansadas. Ali, é o lugar de pessoas que não tem compromisso com ninguém, elas podem até sentar ao seu lado no banco de espera e falarem que vai chover. No entanto, não sabem nada sobre você, nem seu nome, nem seu telefone, nem seu endereço. Nem mesmo a cor dos seus olhos, se por acaso você tiver de óculos escuros.

Lá é o lugar de pessoas que estão esperando pelo novo, que seja casa da sogra no final de semana, ou as férias tão sonhadas, ou uma viagem de trabalho para uma cidade que ainda não conhece. E, enquanto, o ônibus não chega você fica ali inerte, esperando, vendo a vida passar, literalmente.

Tudo pode ser apenas uma rodoviária. Ou, simplesmente, decidir ficar vendo todos chegando e indo embora. O que não pode acontecer é você deixar o seu ônibus sair sem você. Perder o horário, com todos aqueles gigantes relógios. Fique atenta a hora certa. Na vida tudo pode ser tão passageiro, assim como você na rodoviária. Encare o lugar do passageiro na vida e pegue um novo ônibus, uma nova direção, uma nova decisão...