O ano em Vitória da Conquista começou com requisitos da greve da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), que fez com que boa parte dos 9.292 estudantes regressassem para suas casas, no ano passado. O que, economicamente, é uma grande perda para cidade. Ainda bem que Conquista tem outras universidades! Temos aqui três particulares (Fainor, FTC, Juvêncio Terra), uma estadual (Uesb), duas federais (Ufba, IFBA), uma a distância (Unopar) e ainda as pós graduações (Pós-grad, Unigrad). Um leque de opções para os 310.129 habitantes no município, segundo o ultimo censo.
Caminhando um pouco mais e chegando perto do carnaval, aconteceu a greve da polícia militar. As pessoas ficaram com medo de sair de casa, só após 12 dias muitos conflitos, roubos e até mortes em função da paralisação, os policiais decidem encerrar a greve que ameaçou o ano letivo de grande parte dos alunos. Ainda assim é a vez dos professores da rede estadual fazerem suas reivindicações que já passam de 84 dias. “Continuamos abertos a negociações, mas enquanto ela não acontece vamos manter o movimento,” diz Marilene Betros, vice-coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB). Somando os doze dias da greve dos políciais militares no início do ano, quando as escolas também fecharam, já são 96 dias sem aulas este ano na Bahia. Esses eventos acima citados afetam o ciclo econômico. As pessoas deixam de pegar ônibus, táxis, ir ao supermercado; exemplos simples que atingem diretamente a economia local.
Mais adiante, para a educação e segurança não ficarem sozinhas nessa luta, chegou a vez dos médicos também fazerem suas reivindicações à saúde pública. “Sempre que tem uma situação dessas (paralisação), o médico é colocado como culpado, mas queremos mostrar à sociedade a precariedade que estamos vivendo hoje”, diz o vice-presidente do Sindicato dos Médicos, Francisco Magalhães. Muitas pessoas da zona rural se deslocam para a cidade com necessidades médicas; com a greve isso ocorre apenas em casos extremos, afetando novamente esse fluxo de dinheiro na cidade.
Andando um pouco mais e chegando ao mês de maio, o Sindicato dos Rodoviários de Vitória da Conquista, juntamente com motoristas e cobradores das duas empresas que operam na cidade (Serrana e Vitória), decidem começar a paralisação, e assim, a população da terceira maior cidade da Bahia fica sem o transporte público. Analisando isso economicamente e tendo em vista que milhares de pessoas dependem dos transportes públicos para sua locomoção para o trabalho, estudo e lazer. Mais uma vez um empecilho para a economia: fazer o dinheiro “girar”: comprar, pagar contas, receber, investir.
Chegando ao mês de junho, as manchetes eram sobre a falta de chuva. É a pior seca em 47 anos, ela se agrava e atinge quase três milhões de pessoas na Bahia. Em alguns municípios a situação tem sido mais grave como é o caso de Abaré, onde os prejuízos na agricultura alcançaram o patamar de 100%. E assim, podemos imaginar o que significa isso para a economia? Quantos produtores rurais perderam capital com a seca e subsequente deixaram de investir na economia local? Teremos essas respostas nos efeitos econômicos, que já se mostraram com sinais fortes.
Observando de uma forma geral: o ano é eleitoral, a prefeitura retém gastos públicos. Os contratados retraem seus consumos pela suposta instabilidade do emprego. A crise que o mundo se encontra contribui para o ano entrar para a história, infelizmente negativamente. Enquanto os PIBs de China e Índia em 2011 cresceram, respectivamente, 9,2% e 6,9%, tivemos um desempenho no índice de 2,7%. Um dos piores desempenhos de toda a América Latina. O governo não tem estímulos para gastar, e assim, novamente nos deparamos com uma falha na engrenagem da economia. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o crescimento dos últimos trimestres foi bem abaixo da capacidade do país.
Acima estão alguns fatores que contribuíram para o ano de dois mil e doze ser um ano, especificamente para Conquista e região, economicamente complicado. As pessoas não consomem (greves, greves e greves, seca, ano eleitoral, crise mundial e o caminho que o Brasil está tomando as decisões públicas com o governo Dilma) são alguns fatores que podem explicar esse visível ano, economicamente, ruim que afeta diretamente na indústria, comércio e serviços.
Jamille C, Dias
Graduanda em Economia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia


