
Escutando esse nome – rodoviária -, lembro, ligeiramente, de uma multidão de pessoas, todas com bagagens, bolsas e objetos de mão. A rodoviária é um lugar de passagem, raramente você vai ouvir alguém dizer: “-Eu moro aqui.”. É um lugar de despedidas e chegadas de velhas e novas pessoas. Essas pessoas podem ser outras pessoas, ou até vindas e idas de você mesmo.
As bagagens podem ser as lembranças, as marcas, as histórias, o passado, e se olharmos atentamente, iremos perceber que as pessoas seguram suas bagagens com força, com medo de perder, com medo de se perder.
A rodoviária é o lugar de encontrar pessoas que você nunca viu e que nunca pensou que iria ver. As pessoas geralmente estão sérias ou com muito sono, ou muito cansadas. Ali, é o lugar de pessoas que não tem compromisso com ninguém, elas podem até sentar ao seu lado no banco de espera e falarem que vai chover. No entanto, não sabem nada sobre você, nem seu nome, nem seu telefone, nem seu endereço. Nem mesmo a cor dos seus olhos, se por acaso você tiver de óculos escuros.
Lá é o lugar de pessoas que estão esperando pelo novo, que seja casa da sogra no final de semana, ou as férias tão sonhadas, ou uma viagem de trabalho para uma cidade que ainda não conhece. E, enquanto, o ônibus não chega você fica ali inerte, esperando, vendo a vida passar, literalmente.
Tudo pode ser apenas uma rodoviária. Ou, simplesmente, decidir ficar vendo todos chegando e indo embora. O que não pode acontecer é você deixar o seu ônibus sair sem você. Perder o horário, com todos aqueles gigantes relógios. Fique atenta a hora certa. Na vida tudo pode ser tão passageiro, assim como você na rodoviária. Encare o lugar do passageiro na vida e pegue um novo ônibus, uma nova direção, uma nova decisão...





