segunda-feira, 10 de janeiro de 2011


"A Morte, o Sexo e o Dinheiro a todos nivelam." Jamille C, Dias


Inspiração da frase de
Valéria Valério.

Desde o primeiro momento.


Gosto do jeito que você chega;
Arrancando frases, poesias, páginas dentro de mim;
Desde o primeiro dia;

Palavras de uma amiga:

Viver em Portugal é “a maneira mais perto de estar longe”.

"Criação" (entre aspas) Publicitária

A propaganda virou escrava do “novo”, só que o novo com a internet não existe.

Por que será que quase dez entre cada dez porcarias que vemos na propaganda foram submetidas aos consumidores em ambiente de teste e aprovadas com louvor? Porque, simplesmente, é dito o que todos já sabem, do jeito que todos já conhecem.

A boa propaganda é aquela que rentabiliza a exposição porque toca de cara, quase à primeira vista. E toca porque devolve-nos, através do estilo, o original, e não o “novo”.

Fernand Alphen

A verdade nua e crua.

Somos todos de reputação duvidosa, somos todos uma obra por fazer, isso basta para dizer que somos todos inexistentes. Existimos cada vez menos. Essa maluquice chamada modernidade só fez roubar o nosso direito de existir. Coisificamos a vida, e demos vida para as coisas.
(...)
Somos produtos em série. O mesmo tênis, a mesma roupa, o mesmo carro, as mesmas nuances desfilando nas ruas das futilidades. Reproduzimos comportamentos fugazes e medianos, reproduzimos o que é patético. O elogio da inexistência é um atestado da nossa incompetência enquanto seres humanos.

Ivan Cordeiro

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nem mesmo o rigor de muitas coisas.


Certas belezas são definidas de tal maneira mística e específica que nem mesmo o rigor de tempo é capaz de apaga-las.
Nando Reis

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FELIZES PARA SEMPRE AGORA


A felicidade sempre foi cantada em verso e prosa, desde os tempos mais remotos. Quase sempre como algo terminal, um prêmio ao fim de um calvário. Já imaginou se as princesas encontrassem seu príncipe logo no início da história? Os contos de fadas seriam mais próximos da realidade (não pelo fato de a moça achar o seu príncipe, artigo raro neste mundo de sapos, mas pelo fato de termos uma história subseqüente, o depois do ‘foram felizes para sempre’), mas certamente não teriam o mesmo encanto. Nem a mesma serventia, que é (era) a de povoar o mundo de ilusão, algo estritamente necessário a nós mortais, com nosso destinozinho tacanho e finito.

Nos acostumamos pois a ver a Felicidade como algo sempre além, sempre ao fim do terrível trajeto, o troféu depois da tortuosa jornada. O tempo dos contos de fadas já vai longe, mas as pessoas parecem ainda continuar a crer em (e a sonhar com) Cinderelas Felizes, casamentos perfeitos, tesouros enterrados e amores eternos. Pode ser que existam de fato, mas pode ser que tudo seja apenas fruto desta legítima fome de ilusão dos humanos. Fome que justifica a existência de quase tudo que o homem tem criado ao longo do tempo para emprestar sentido a este nosso mundo velho sem porteira — o circo, o bar, o futebol, o cinema e mais uma lista inumerável de coisas. Segundo o grego Kazantzákis, mesmo Deus teria nascido dessa obsessão humana pelo sonho e pelo alumbramento.


Sempre me pareceu tarefa difícil para a fauna humana entender a felicidade como uma coisa mais cotidiana, e por isso mesmo banal. Tarefa difícil sim, mas redentora talvez. Não me chamo Polyana nem este texto se presta a ser um texto de auto-ajuda, longe de mim, mas caso tivéssemos a consciência da felicidade como algo ao alcance da mão e não no fim do filme, gozaríamos mais e melhor, seguramente. Falo dessa felicidadezinha passageira, fugaz, pronta para ser vivida com total intensidade. Entre os poetas que cantaram a felicidade, poucos foram tão felizes como o grande Odair José na sua clássica canção “A Noite Mais Linda do Mundo”: ‘Felicidade não existe / o que existe na vida são momentos felizes’. Sábio Odair. Dizer que se deve viver a vida com toda intensidade, não significa dizer porém que se deva enlouquecer geral, despirocar, pirar na batatinha, desbaratinar, tomar todas as vodcas do mundo, contrair todas as dívidas e sair por aí alucinando. Algo como o que fez o personagem de outra célebre canção, esta do bamba suicida Assis Valente, ‘E o Mundo não se Acabou’: anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar .../ e sem demora fui tratando de aproveitar ... / beijei na boca de quem não devia / peguei na mão de quem não conhecia / dancei um samba em traje de maiô / e o tal do mundo não se acabou’ (de Valente também é o deslumbrante verso ‘felicidade é brinquedo que não tem’, em “Boas Festas”, a mais bela e triste canção de Natal que eu conheço).

Mas voltando à vaca Fria da felicidade comezinha, tive um amigo, do tipo sábio de padaria, que adorava repetir uma frase genial: ‘Felicidade é um café na cama’.
Mas pode ser também uma boa rodada de chopes com os amigos no bar gastando conversa (isso pro meu gosto, claro. Para os finos provavelmente uma noite de degustação de vinhos da nova safra sul-africana; para os brutos - ou pobres - uma roda de pinga barata na bodega da esquina). A lista pode ser aumentada, claro, conforme o gosto do freguês. O café vespertino na padaria da esquina, uma canção ouvida no rádio de surpresa, o livro lido na rede, o filme na tarde chuvosa, uma noite de amor intenso, um trabalho realizado a contento, uma tarde de domingo no estádio febril, uma gentileza inusitada, a cerveja na praia antes do almoço, a comida que não está nos guias gastronômicos mas que aconchega a alma, coisas que enchem o peito, que dão aquela sensação boa e plena, de que não falta nada, nem mesmo um cigarro, pra completar a felicidade, e que a vida daí por diante será melhor, bem melhor.

Estou falando de felicidade em vida, na terra, em corpo material, carne e osso, aqui e agora, não na vida eterna. Apesar de considerá-la uma fábula bíblica muito fascinante, nunca tive fé suficiente para crer que do outro lado teremos o que não tivemos em vida, alma jubilada ao som dos clarins de anjos de cabelos cacheados e paz plena.Por isso, como um Reich caboclo e rude, sugiro que gozemos dos pequenos encantamentos (não só os sexuais, óbvio!) de nossa vidinha besta como a máxima e suprema felicidade. Ladies and gentleman, vagabundos e maloqueiras, famosos e anônimos, aristocratas e proletários, acorrei, e na dúvida, gozai a felicidade possível, os tais ‘momentos felizes’. Pode ser que lá adiante o alardeado ‘happy end’ não seja tão feliz assim.

por ZECA BALEIRO

Será isso economia?

"A fé não surge do nada, muito menos da própria fé. É preciso um indício, um sinal, um motivo racionalmente aceitável para acender na alma a chama da confiança em Deus. A alma prefere apegar-se à tristeza e ao negativismo porque são seus velhos conhecidos. É a segurança da depressão rotineira contra o apelo da razão à ousadia da confiança. O que se opõe à fé não é a razão, é a covardia. Para legitimar essa covardia ergueram-se masmorras de pseudo-argumentos. No fundo delas, o leproso lambe suas chagas, o cego adora sua cegueira, o paralítico celebra a impossibilidade de caminhar. Os pobres, imaginando-se reis e principes, festejam a rejeição da boa notícia. Orgulhosos da sua impotência, adornam com o nome de “ciência” a teimosia de negar os fatos." (Olavo de Carvalho).

Laissez Faire, Laissez

Agora eu sei porque faço economia.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aturar


"Vai embora, não,
Fica mais
Ninguem do mundo
Vai te dar tanto carinho
nem pai, nem mãe
Ninguém vai aturar a tua loucura"

cazuza

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Que venha!!!


Estava com um pouco de receio de escrever o sobre o ano que passou e o ano que está chegando, tudo isso porque, esse ano, foi o ano. Mesmo sendo leiga nesse negócio de escrever, as poucas linhas, mal escritas, dizem um pouco sobre aquilo que passa aqui dentro, e, por isso, tenho apreensão em digitá-las.
Mas, vamos lá...
Escrevi muito esse ano, escrevi o que pulsava, escrevi aquilo que latejava, rabisquei na agenda, no caderno da faculdade, rabisquei no bloco de novas, escrevi... Tenho uma pasta de “escritos” não publicados e tenho também outra de pensamentos ainda não escritos.
No início do ano decidi tirar meus anjos da guarda da tranquilidade que eles tinham e coloca-los em combate... Testar os limites e saber até onde eles iriam por mim. Coloquei-os em uma prova, em que eu e os mesmos estaríamos sendo provados no fogo.
Foi um ano cheio de surpresas, nem sempre boas, principalmente, para as pessoas que esteve perto de mim. Um ano impulsivo, em que as ações foram feitas uma, duas, três vezes e só depois de um bom tempo, foram pensadas sobre elas.
A palavra de ordem: mudança. Perdi muito tempo preocupada se elas seriam boas ou ruins. Logo depois descobri o que importava era que aquilo tudo estava acontecendo dentro de mim e tudo me levaria a me conhecer ainda mais como pessoa, como ser humano.
Foi estranho eu não me (re)conhecia em muitos momentos... Tomava um choque me vendo no espelho, fazendo algumas coisas que nunca teria coragem de fazer, e sendo julgada por tantas outras, que realmente não fiz.
Sabia, desde sempre, que tudo teria um preço, mas não sabia que ia ser tão caro; e o pior é que ainda não tinha chegado nem perto do pagamento total.
Nessa mudança de cidade, de pais, de mundo... Arrumei minhas malas, coloquei algumas coisas no caminhão e segui viajem, sem olhar para trás e, também, sem olhar a direção que estava seguindo.

Inconsequente? É, talvez, a palavra seja essa mesmo.
Deixei algumas coisas no caminho, coisas valiosas, que perdi para sempre... As perdas são as minhas únicas certezas. Eu as perdi, mas elas nunca me perderam. Perdi muitas coisas e também me perdi em vários momentos. Mas, sabe de uma? Cresci. Foi bom. Está sendo bom. Que seja. Cada momento, a cada curva dessa estrada desconhecida, sinto um frio na barriga, contudo tenho tanta coragem de enfrentar esse mundo, que tudo não passa de uma grande diversão... uma roda gigante, um carrinho de bate-bate.
Esse ano foi um ano doido, diferente e perigoso. Foi um ano DEZ. Vai ficar lapidado, gravado aqui em mim... Que venha 2011, cheios de novas surpresas, novas viagens, novas pessoas, que seja um ano ONZE, melhor do que dez. Acredito nisso.
Acredito também, que mesmo o ano sendo de grandes mudanças, tenho ainda em mim algumas coisas imutáveis que só a quem realmente eu quero, eu as mostro. Essa é a parte boa de tudo. É saber o que Caio sentiu ao dizer "...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro". E fazendo uma comparação bem mesquinha, bem pobre, bem pejorativa, quanto mais se espreme uma fruta, mais extrai o melhor que ela tem para dar.
Se pudesse definir o ano, diria que foi o ano da impulsividade... E foi mesmo, da loucura, da irresponsabilidade... Mas, uma irresponsabilidade responsável. Sabe?
Um ano cheio de livros, de música... Um ano cheio de novidades no trabalho, na faculdade, no coração. Um ano cheio, lotado de emoção.
Um ano contraditório, coisas boas e ruins acontecendo, simultaneamente. Me sentir por vezes em uma rodoviária onde pessoas se vão e outras chegam, por outras me peguei num quarto de uma cidade litorânea, onde a maioria estaria pegando aquele bronze na praia, e eu ali escrevendo e escutando Dido, Marina Lima, Adele, Tânia Alves, Dorival...
Dois mil e dez, foi marcante... Foi louco. Foi diferente. Dois mil e onze vai ser na mesma proporção, só que onze. Maior que dez.

Que venha!!!


Jamille C, Dias