
Certas belezas são definidas de tal maneira mística e específica que nem mesmo o rigor de tempo é capaz de apaga-las.
Nando Reis
"A fé não surge do nada, muito menos da própria fé. É preciso um indício, um sinal, um motivo racionalmente aceitável para acender na alma a chama da confiança em Deus. A alma prefere apegar-se à tristeza e ao negativismo porque são seus velhos conhecidos. É a segurança da depressão rotineira contra o apelo da razão à ousadia da confiança. O que se opõe à fé não é a razão, é a covardia. Para legitimar essa covardia ergueram-se masmorras de pseudo-argumentos. No fundo delas, o leproso lambe suas chagas, o cego adora sua cegueira, o paralítico celebra a impossibilidade de caminhar. Os pobres, imaginando-se reis e principes, festejam a rejeição da boa notícia. Orgulhosos da sua impotência, adornam com o nome de “ciência” a teimosia de negar os fatos." (Olavo de Carvalho).
Laissez Faire, Laissez
Agora eu sei porque faço economia.
Estava com um pouco de receio de escrever o sobre o ano que passou e o ano que está chegando, tudo isso porque, esse ano, foi o ano. Mesmo sendo leiga nesse negócio de escrever, as poucas linhas, mal escritas, dizem um pouco sobre aquilo que passa aqui dentro, e, por isso, tenho apreensão em digitá-las.
Mas, vamos lá...
Escrevi muito esse ano, escrevi o que pulsava, escrevi aquilo que latejava, rabisquei na agenda, no caderno da faculdade, rabisquei no bloco de novas, escrevi... Tenho uma pasta de “escritos” não publicados e tenho também outra de pensamentos ainda não escritos.
No início do ano decidi tirar meus anjos da guarda da tranquilidade que eles tinham e coloca-los em combate... Testar os limites e saber até onde eles iriam por mim. Coloquei-os em uma prova, em que eu e os mesmos estaríamos sendo provados no fogo.
Foi um ano cheio de surpresas, nem sempre boas, principalmente, para as pessoas que esteve perto de mim. Um ano impulsivo, em que as ações foram feitas uma, duas, três vezes e só depois de um bom tempo, foram pensadas sobre elas.
A palavra de ordem: mudança. Perdi muito tempo preocupada se elas seriam boas ou ruins. Logo depois descobri o que importava era que aquilo tudo estava acontecendo dentro de mim e tudo me levaria a me conhecer ainda mais como pessoa, como ser humano.
Foi estranho eu não me (re)conhecia em muitos momentos... Tomava um choque me vendo no espelho, fazendo algumas coisas que nunca teria coragem de fazer, e sendo julgada por tantas outras, que realmente não fiz.
Sabia, desde sempre, que tudo teria um preço, mas não sabia que ia ser tão caro; e o pior é que ainda não tinha chegado nem perto do pagamento total.
Nessa mudança de cidade, de pais, de mundo... Arrumei minhas malas, coloquei algumas coisas no caminhão e segui viajem, sem olhar para trás e, também, sem olhar a direção que estava seguindo.
Inconsequente? É, talvez, a palavra seja essa mesmo.
Deixei algumas coisas no caminho, coisas valiosas, que perdi para sempre... As perdas são as minhas únicas certezas. Eu as perdi, mas elas nunca me perderam. Perdi muitas coisas e também me perdi em vários momentos. Mas, sabe de uma? Cresci. Foi bom. Está sendo bom. Que seja. Cada momento, a cada curva dessa estrada desconhecida, sinto um frio na barriga, contudo tenho tanta coragem de enfrentar esse mundo, que tudo não passa de uma grande diversão... uma roda gigante, um carrinho de bate-bate.
Esse ano foi um ano doido, diferente e perigoso. Foi um ano DEZ. Vai ficar lapidado, gravado aqui em mim... Que venha 2011, cheios de novas surpresas, novas viagens, novas pessoas, que seja um ano ONZE, melhor do que dez. Acredito nisso.
Acredito também, que mesmo o ano sendo de grandes mudanças, tenho ainda em mim algumas coisas imutáveis que só a quem realmente eu quero, eu as mostro. Essa é a parte boa de tudo. É saber o que Caio sentiu ao dizer "...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro". E fazendo uma comparação bem mesquinha, bem pobre, bem pejorativa, quanto mais se espreme uma fruta, mais extrai o melhor que ela tem para dar.
Se pudesse definir o ano, diria que foi o ano da impulsividade... E foi mesmo, da loucura, da irresponsabilidade... Mas, uma irresponsabilidade responsável. Sabe?
Um ano cheio de livros, de música... Um ano cheio de novidades no trabalho, na faculdade, no coração. Um ano cheio, lotado de emoção.
Um ano contraditório, coisas boas e ruins acontecendo, simultaneamente. Me sentir por vezes em uma rodoviária onde pessoas se vão e outras chegam, por outras me peguei num quarto de uma cidade litorânea, onde a maioria estaria pegando aquele bronze na praia, e eu ali escrevendo e escutando Dido, Marina Lima, Adele, Tânia Alves, Dorival...
Dois mil e dez, foi marcante... Foi louco. Foi diferente. Dois mil e onze vai ser na mesma proporção, só que onze. Maior que dez.
Que venha!!!
Jamille C, Dias

Eu acredito que todos já passaram por um momento de mutações, de recomeços, de transformações. Todos sem distinções já viveram aquele momento de querer aprender a andar de bicicleta custe o que custar.
Então, é mais ou menos por aí... Aprender a andar de bicicleta sem a rodinha para te apoiar. Aprender a fazer manobra nessa bicicleta sem ninguém te segurando atrás.
Você ganha um presente e quer desfrutar dele por completo.
Todo mundo quando ia aprender a andar, caiu, se machucou, ralou o joelho... Tudo isso é normal, e, diga-se de passagem, tem gente que tem marcas até hoje dessas quedas de bicicleta.
Ela pode ser, sim, mesmo uma possível bicicleta. Mas, em outros momentos ela pode ser a nossa história de vida, a nossa biografia, aquilo que contaremos para os nossos jovens no futuro.
E nisso, você pode até mostrar os machucados, contar como foi às quedas e também ensinar a esses jovens não caírem como caímos, nos dias de hoje.
Nunca diria que a bicicleta é a vida, porque a vida é muito mais que isso. Contudo, acredito que a metáfora é boa. Existem pessoas querendo segurar a bicicleta para você andar, brincar, até você aprender a andar sozinho. E, também, existem as pedras que com qualquer descuidado você “tubufe” no chão.
Mas, todos, sem distinções, caíram de bicicleta. E aprenderam a andar sobre elas. A vida é dessa forma. Custe o que custar você aprende a viver e a sobreviver, muitas vezes caindo.
As quedas são certas, virão. Mas, quem aprender a andar de bicicleta nunca mais esquece. São quedas que valeram a pena.
James Crook disse certa vez: Um homem que quer reger a orquestra precisa dar as costas à platéia.
Quando você quer andar de bicicleta tem a platéia te vendo, alguns torcendo por você e outros querendo sorrir da queda. Nesse momento precisamos dar as costas à platéia esquecer os aplausos, que sempre vêem, esquecer os espectadores, e reger essa orquestra de forma que só você escute o som e o real significado de aprender a andar de bicicleta em meios a todas as quedas.
Jamille C, Dias - aquela fé que você deposita em você e só.
