sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Nem mesmo o rigor de muitas coisas.


Certas belezas são definidas de tal maneira mística e específica que nem mesmo o rigor de tempo é capaz de apaga-las.
Nando Reis

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

FELIZES PARA SEMPRE AGORA


A felicidade sempre foi cantada em verso e prosa, desde os tempos mais remotos. Quase sempre como algo terminal, um prêmio ao fim de um calvário. Já imaginou se as princesas encontrassem seu príncipe logo no início da história? Os contos de fadas seriam mais próximos da realidade (não pelo fato de a moça achar o seu príncipe, artigo raro neste mundo de sapos, mas pelo fato de termos uma história subseqüente, o depois do ‘foram felizes para sempre’), mas certamente não teriam o mesmo encanto. Nem a mesma serventia, que é (era) a de povoar o mundo de ilusão, algo estritamente necessário a nós mortais, com nosso destinozinho tacanho e finito.

Nos acostumamos pois a ver a Felicidade como algo sempre além, sempre ao fim do terrível trajeto, o troféu depois da tortuosa jornada. O tempo dos contos de fadas já vai longe, mas as pessoas parecem ainda continuar a crer em (e a sonhar com) Cinderelas Felizes, casamentos perfeitos, tesouros enterrados e amores eternos. Pode ser que existam de fato, mas pode ser que tudo seja apenas fruto desta legítima fome de ilusão dos humanos. Fome que justifica a existência de quase tudo que o homem tem criado ao longo do tempo para emprestar sentido a este nosso mundo velho sem porteira — o circo, o bar, o futebol, o cinema e mais uma lista inumerável de coisas. Segundo o grego Kazantzákis, mesmo Deus teria nascido dessa obsessão humana pelo sonho e pelo alumbramento.


Sempre me pareceu tarefa difícil para a fauna humana entender a felicidade como uma coisa mais cotidiana, e por isso mesmo banal. Tarefa difícil sim, mas redentora talvez. Não me chamo Polyana nem este texto se presta a ser um texto de auto-ajuda, longe de mim, mas caso tivéssemos a consciência da felicidade como algo ao alcance da mão e não no fim do filme, gozaríamos mais e melhor, seguramente. Falo dessa felicidadezinha passageira, fugaz, pronta para ser vivida com total intensidade. Entre os poetas que cantaram a felicidade, poucos foram tão felizes como o grande Odair José na sua clássica canção “A Noite Mais Linda do Mundo”: ‘Felicidade não existe / o que existe na vida são momentos felizes’. Sábio Odair. Dizer que se deve viver a vida com toda intensidade, não significa dizer porém que se deva enlouquecer geral, despirocar, pirar na batatinha, desbaratinar, tomar todas as vodcas do mundo, contrair todas as dívidas e sair por aí alucinando. Algo como o que fez o personagem de outra célebre canção, esta do bamba suicida Assis Valente, ‘E o Mundo não se Acabou’: anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar .../ e sem demora fui tratando de aproveitar ... / beijei na boca de quem não devia / peguei na mão de quem não conhecia / dancei um samba em traje de maiô / e o tal do mundo não se acabou’ (de Valente também é o deslumbrante verso ‘felicidade é brinquedo que não tem’, em “Boas Festas”, a mais bela e triste canção de Natal que eu conheço).

Mas voltando à vaca Fria da felicidade comezinha, tive um amigo, do tipo sábio de padaria, que adorava repetir uma frase genial: ‘Felicidade é um café na cama’.
Mas pode ser também uma boa rodada de chopes com os amigos no bar gastando conversa (isso pro meu gosto, claro. Para os finos provavelmente uma noite de degustação de vinhos da nova safra sul-africana; para os brutos - ou pobres - uma roda de pinga barata na bodega da esquina). A lista pode ser aumentada, claro, conforme o gosto do freguês. O café vespertino na padaria da esquina, uma canção ouvida no rádio de surpresa, o livro lido na rede, o filme na tarde chuvosa, uma noite de amor intenso, um trabalho realizado a contento, uma tarde de domingo no estádio febril, uma gentileza inusitada, a cerveja na praia antes do almoço, a comida que não está nos guias gastronômicos mas que aconchega a alma, coisas que enchem o peito, que dão aquela sensação boa e plena, de que não falta nada, nem mesmo um cigarro, pra completar a felicidade, e que a vida daí por diante será melhor, bem melhor.

Estou falando de felicidade em vida, na terra, em corpo material, carne e osso, aqui e agora, não na vida eterna. Apesar de considerá-la uma fábula bíblica muito fascinante, nunca tive fé suficiente para crer que do outro lado teremos o que não tivemos em vida, alma jubilada ao som dos clarins de anjos de cabelos cacheados e paz plena.Por isso, como um Reich caboclo e rude, sugiro que gozemos dos pequenos encantamentos (não só os sexuais, óbvio!) de nossa vidinha besta como a máxima e suprema felicidade. Ladies and gentleman, vagabundos e maloqueiras, famosos e anônimos, aristocratas e proletários, acorrei, e na dúvida, gozai a felicidade possível, os tais ‘momentos felizes’. Pode ser que lá adiante o alardeado ‘happy end’ não seja tão feliz assim.

por ZECA BALEIRO

Será isso economia?

"A fé não surge do nada, muito menos da própria fé. É preciso um indício, um sinal, um motivo racionalmente aceitável para acender na alma a chama da confiança em Deus. A alma prefere apegar-se à tristeza e ao negativismo porque são seus velhos conhecidos. É a segurança da depressão rotineira contra o apelo da razão à ousadia da confiança. O que se opõe à fé não é a razão, é a covardia. Para legitimar essa covardia ergueram-se masmorras de pseudo-argumentos. No fundo delas, o leproso lambe suas chagas, o cego adora sua cegueira, o paralítico celebra a impossibilidade de caminhar. Os pobres, imaginando-se reis e principes, festejam a rejeição da boa notícia. Orgulhosos da sua impotência, adornam com o nome de “ciência” a teimosia de negar os fatos." (Olavo de Carvalho).

Laissez Faire, Laissez

Agora eu sei porque faço economia.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aturar


"Vai embora, não,
Fica mais
Ninguem do mundo
Vai te dar tanto carinho
nem pai, nem mãe
Ninguém vai aturar a tua loucura"

cazuza

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Que venha!!!


Estava com um pouco de receio de escrever o sobre o ano que passou e o ano que está chegando, tudo isso porque, esse ano, foi o ano. Mesmo sendo leiga nesse negócio de escrever, as poucas linhas, mal escritas, dizem um pouco sobre aquilo que passa aqui dentro, e, por isso, tenho apreensão em digitá-las.
Mas, vamos lá...
Escrevi muito esse ano, escrevi o que pulsava, escrevi aquilo que latejava, rabisquei na agenda, no caderno da faculdade, rabisquei no bloco de novas, escrevi... Tenho uma pasta de “escritos” não publicados e tenho também outra de pensamentos ainda não escritos.
No início do ano decidi tirar meus anjos da guarda da tranquilidade que eles tinham e coloca-los em combate... Testar os limites e saber até onde eles iriam por mim. Coloquei-os em uma prova, em que eu e os mesmos estaríamos sendo provados no fogo.
Foi um ano cheio de surpresas, nem sempre boas, principalmente, para as pessoas que esteve perto de mim. Um ano impulsivo, em que as ações foram feitas uma, duas, três vezes e só depois de um bom tempo, foram pensadas sobre elas.
A palavra de ordem: mudança. Perdi muito tempo preocupada se elas seriam boas ou ruins. Logo depois descobri o que importava era que aquilo tudo estava acontecendo dentro de mim e tudo me levaria a me conhecer ainda mais como pessoa, como ser humano.
Foi estranho eu não me (re)conhecia em muitos momentos... Tomava um choque me vendo no espelho, fazendo algumas coisas que nunca teria coragem de fazer, e sendo julgada por tantas outras, que realmente não fiz.
Sabia, desde sempre, que tudo teria um preço, mas não sabia que ia ser tão caro; e o pior é que ainda não tinha chegado nem perto do pagamento total.
Nessa mudança de cidade, de pais, de mundo... Arrumei minhas malas, coloquei algumas coisas no caminhão e segui viajem, sem olhar para trás e, também, sem olhar a direção que estava seguindo.

Inconsequente? É, talvez, a palavra seja essa mesmo.
Deixei algumas coisas no caminho, coisas valiosas, que perdi para sempre... As perdas são as minhas únicas certezas. Eu as perdi, mas elas nunca me perderam. Perdi muitas coisas e também me perdi em vários momentos. Mas, sabe de uma? Cresci. Foi bom. Está sendo bom. Que seja. Cada momento, a cada curva dessa estrada desconhecida, sinto um frio na barriga, contudo tenho tanta coragem de enfrentar esse mundo, que tudo não passa de uma grande diversão... uma roda gigante, um carrinho de bate-bate.
Esse ano foi um ano doido, diferente e perigoso. Foi um ano DEZ. Vai ficar lapidado, gravado aqui em mim... Que venha 2011, cheios de novas surpresas, novas viagens, novas pessoas, que seja um ano ONZE, melhor do que dez. Acredito nisso.
Acredito também, que mesmo o ano sendo de grandes mudanças, tenho ainda em mim algumas coisas imutáveis que só a quem realmente eu quero, eu as mostro. Essa é a parte boa de tudo. É saber o que Caio sentiu ao dizer "...depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro". E fazendo uma comparação bem mesquinha, bem pobre, bem pejorativa, quanto mais se espreme uma fruta, mais extrai o melhor que ela tem para dar.
Se pudesse definir o ano, diria que foi o ano da impulsividade... E foi mesmo, da loucura, da irresponsabilidade... Mas, uma irresponsabilidade responsável. Sabe?
Um ano cheio de livros, de música... Um ano cheio de novidades no trabalho, na faculdade, no coração. Um ano cheio, lotado de emoção.
Um ano contraditório, coisas boas e ruins acontecendo, simultaneamente. Me sentir por vezes em uma rodoviária onde pessoas se vão e outras chegam, por outras me peguei num quarto de uma cidade litorânea, onde a maioria estaria pegando aquele bronze na praia, e eu ali escrevendo e escutando Dido, Marina Lima, Adele, Tânia Alves, Dorival...
Dois mil e dez, foi marcante... Foi louco. Foi diferente. Dois mil e onze vai ser na mesma proporção, só que onze. Maior que dez.

Que venha!!!


Jamille C, Dias

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

a metáfora é boa


Eu acredito que todos já passaram por um momento de mutações, de recomeços, de transformações. Todos sem distinções já viveram aquele momento de querer aprender a andar de bicicleta custe o que custar.

Então, é mais ou menos por aí... Aprender a andar de bicicleta sem a rodinha para te apoiar. Aprender a fazer manobra nessa bicicleta sem ninguém te segurando atrás.

Você ganha um presente e quer desfrutar dele por completo.

Todo mundo quando ia aprender a andar, caiu, se machucou, ralou o joelho... Tudo isso é normal, e, diga-se de passagem, tem gente que tem marcas até hoje dessas quedas de bicicleta.

Ela pode ser, sim, mesmo uma possível bicicleta. Mas, em outros momentos ela pode ser a nossa história de vida, a nossa biografia, aquilo que contaremos para os nossos jovens no futuro.

E nisso, você pode até mostrar os machucados, contar como foi às quedas e também ensinar a esses jovens não caírem como caímos, nos dias de hoje.

Nunca diria que a bicicleta é a vida, porque a vida é muito mais que isso. Contudo, acredito que a metáfora é boa. Existem pessoas querendo segurar a bicicleta para você andar, brincar, até você aprender a andar sozinho. E, também, existem as pedras que com qualquer descuidado você “tubufe” no chão.

Mas, todos, sem distinções, caíram de bicicleta. E aprenderam a andar sobre elas. A vida é dessa forma. Custe o que custar você aprende a viver e a sobreviver, muitas vezes caindo.

As quedas são certas, virão. Mas, quem aprender a andar de bicicleta nunca mais esquece. São quedas que valeram a pena.

James Crook disse certa vez: Um homem que quer reger a orquestra precisa dar as costas à platéia.

Quando você quer andar de bicicleta tem a platéia te vendo, alguns torcendo por você e outros querendo sorrir da queda. Nesse momento precisamos dar as costas à platéia esquecer os aplausos, que sempre vêem, esquecer os espectadores, e reger essa orquestra de forma que só você escute o som e o real significado de aprender a andar de bicicleta em meios a todas as quedas.

Jamille C, Dias - aquela fé que você deposita em você e só.


Mágico Teatro

Cuida de mim enquanto finjo que sou quem eu queria ser

a fé que você deposita em você e só

Descobrir o verdadeiro sentido das coisas
É querer saber demais

Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar


foi lindo, algumas frases que ficaram na cabeça.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Irônico


Um homem velho fez 98 anos
Ganhou na loteria e morreu no dia seguinte
É uma mosca preta em seu Chardonnay
É o perdão no corredor da morte, 2 minutos atrasado
Isso é irônico... não acha?

É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isto acontece

O Sr. Precavido estava com medo de voar
Ele arrumou sua mala e deu um beijo de adeus em seus filhos
Ele esperou a vida toda para pegar aquele vôo
E enquanto o avião caía, ele pensou
"Bem, isso não é bom..."
Isso é irônico... você não acha?

É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isto acontece

Bem, a vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
Quando você pensa que tudo está O.K. e tudo está indo bem
E a vida tem um jeito engraçado de te ajudar quando
Quando você pensa que tudo está dando errado e tudo explode
na sua cara

Um engarrafamento de trânsito quando você já está atrasado
Um sinal de "proibido fumar" no seu intervalo para o cigarro
É como dez mil colheres quando tudo o que você precisa é de uma faca
É encontrar o homem dos meus sonhos
E então encontrar a linda esposa dele
E isso é irônico... você não acha?
Um pouco irônico demais... eu acho...

É como chuva no dia do seu casamento
É uma passagem de graça, quando você já pagou
É o bom conselho que você não aceitou
E quem teria imaginado... isto acontece

A vida tem um jeito engraçado de aprontar com você
A vida tem um jeito realmente engraçado de te ajudar
de te ajudar

Morissette

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Coisas que não se divide com ninguém:


o último gole
um pedaço de chocolate
a última bolacha
os segredos
o quarto
a escova de dente
a última tala de fósforo
a alma
a ponta do travesseiro
a ultima chama

Eu divido com você.

Jamille C. Dias

Antes de dormir, queria te dizer...



Não sei explicar o quanto eu gosto das suas palavras, o quanto você me compreende mais que eu mesma, o tanto que você é, que me faz bem.

Um minuto, só mais uma "coisinha": simples, tranquilo, bem, seu, meu, nosso, junto, hoje, amanhã e depois, hoje amanhã e depois...

-Para que a ligação não acabe.