domingo, 24 de outubro de 2010

A grama sempre volta na primavera


*um mês e um dia da primavera

Mas você adora um se...


se quiser eu posso ser ...

posso te doar todo meu tempo livre
e inventar mais horas livres só pra estar ao seu lado.
posso te doar todas as minhas cores e sons.

posso te levar pra passear no lago, fazer pic-nic,
fazer planos, fazer comida e poesia,
fazer qualquer coisa que te faça feliz.

posso te acordar no meio da noite só pra dizer que te amo
e te abraçar apertado antes de sair pra trabalhar.

posso te ouvir e ler suas palavras infinitas vezes
e continuar te achando a pessoa mais linda do mundo.
posso limpar sua casa, seus armários,

seu coração de coisas passadas, posso mudar sua vida.
posso fazer de você a última pessoa da minha vida,

se quiser.

mas pra tudo isso e pra todo o resto...

se você quiser.

O Significado dos Rabiscos


Junto do seu telefone deve ter um bloquinho cheio de rabiscos. Preste atenção neles. Você vai ficar surpreso com algumas revelações que anda largando por aí. Eu sempre desenho uma seta...
Vamos ver o que significa.

"Setas":
Desenhar setas significa alguma idéia fixa. Se elas apontarem para baixo ou para esquerda, elas falam de alguma coisa que já passou. Se elas apontarem para a direita, indicam futuro. Se as setas apontarem para cima, você deve estar entediado (a) e é bom se programar direitinho para o próximo fim de semana.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

EU ETIQUETA


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A viagem



Minha mãe sempre me disse:
“O bacana da viagem é demora de chegar”.
Eu nunca concordei,
afinal, essa era a parte que eu menos gostava.
Hoje eu a entendo, o destino pouco importa,
o importante é a viagem,
o tempo que dura para chegar,
quem esteve na cadeira ao lado,
se a pessoa lhe ofereceu água durante o percurso,
se conversaram e se valeu a pena viajar com esta tal
pessoa falando bobagens no teu ouvido.

O destino pouco importa mesmo,
se é praia, mar ou verão.
Se caso for neve, gelo, inverno, chuva ou trovão...
Talvez, um lugar onde a primavera habitará,
poderia também ser uma praça regada pelas
folhas do outono.

Tudo isso pouco importa...
Pouco importa mesmo.
O que importa é o caminho.
Nunca falei do destino,
Não prometi ver o mar,
na verdade
não fiz promessas, lembra?

O destino nunca me importou,
o que me movia era o caminho,
era a boa conversa e o bom vinho,
era os domingos, os sábados e os feriados.
O que me brilhava os olhos era
olhar da janela, não do ônibus, mas
da sacada da sua casa e ver você
me espiar ir embora.

O que me fazia ir mais devagar
e diminuir a velocidade da viagem,
e muitas vezes indo a 30km por hora,
era ver você imitando uma criança eu
rindo sem parar daquilo tudo.

Minha oração a Deus, nosso Pai,
era para esticar a estrada, para a
demora continuar e a viagem não acabar.

Porém, toda viagem tem um destino.
Chega um momento em que você decidi,
ou você dar o sinal e desci,
ou fica “sem destino”
e arrisca confiar no motorista.

Jamille C Dias


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

descuido


Diga que o meu samba é fraco
E que eu não largo o taco
Nem pra conversar com você
Mas fica
Mas fica, meu amor
Quem sabe um dia
Por descuido ou poesia
Você goste de ficar

chico

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Isso eu sei.


É a mais linda,
ás vezes é aquela prima-amiga,
tem horas que é a melhor companhia
é, sem mentira, a minha vida

As marcas do tempo a deixa
mais moça a cada dia
Ela que me acorda, que me deita,
pega minha toalha,
ela que coloca meu prato,
aquela que fala baixo e alto.

Ela é minha, só minha.
Usa saia para sair e
blusa folgada para dormir,
Ela me ensinou o que sei e o
não quis saber.

Ela abriu meus olhos tantas vezes,
até mesmo quando eu não quis ver
Ela sabe a dose certa do remedio
para a dor de cabeça

Sabe ouvir e falar,
sabe sorrir e chorar,
sabe dançar e orar,
sabe lavar e passar,
sabe até fazer um chá.

Sabe também ensinar,
sem ao menos me olhar
Sabe tantas coisas
que eu tenho medo não dar tempo
aprender tudo que ela sabe
e que eu ainda não sei,

Ah, uma coisa eu sei...bem sei.
Ela é minha rainha, isso sim, eu sei!

"Quando eu tinha três anos as pessoas peguntavam:
- Você ama mais o papai ou a mamãe?
Eu ficava queita não respondia.
Mas, meu pai gritava: - Tem que amar mais a mamãe...
Aí se estiver um espacinho lá dentro, você coloca o papai."


Jamille C Dias

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

é verdade

Conta pra mim por que, por mais que a gente viva, o amor nos surpreende tanto toda vez que vem à tona.

[Ana Jácomo]

domingo, 3 de outubro de 2010

pra qualquer lugar


Se você for embora me leve
Se você for passar a tarde fora me leve
Se for tomar um chá em Bagdá me leve
Se for dançar tango em Madagascar
Me leve com seu jeito leve
Me pese com seu jeito prosa
Me entrosa na sua vida de bacana
Me leve pra qualquer lugar
Pra onde o seu bloco passar
Prum canto escuro desse bar
Me leve

Pra sua vida de bacana
Se você for embora
Me leve

Marcela Bellas

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Interrompemos nossa programação para um papo sério... Dentro de instante segue nossa programação normal. (Parte I)


Esses dias me peguei olhando para esse blog e notei que ele está com uma cara de adolescente de treze anos apaixonada.
Vamos mudar isso agora.
Vamos bater um papo sobre coisas sérias... Tema de hoje: O Sistema capitalista na economia, na publicidade e na teologia, minhas três grandes paixões. Ah, não, eu apaixonada por economia, não isso está errado. Minhas duas grandes paixões, vamos deixar economia de fora disso.
A verdade é que eu tenho me encantado dia após dia com a economia. A publicidade me raptou logo cedo, então não tive como escapar. E a teologia é algo que grita um pouco dentro de mim, minhas curiosidades, minhas interrogações, enfim... É por aí.
O grande problema é que a economia, a publicidade e a teologia caminham juntas e separadas, existe um paradoxo sem fim entre elas. Mas, vamos à adiante...
A economia consiste na produção, distribuição e consumo de bens e serviços, ela tem o papel de alocar os recursos limitados distribuindo a necessidades ilimitadas. Também tem o papel de fazer com que a economia gire, seria como se o governo só investisse naquela praça do bairro porque ele precisa fazer com que a moeda circule, sendo assim, gastando com cimento o funcionário da loja de cimento recebe o salário e gasta no mercado do bairro, com isso a economia gira e todos ficam felizes. Lógico que a economia é mais que isso. Mas no fim das contas, é só isso. O governo gasta, não porque a praça precisa de uma boa reforma, ele gasta porque precisa que o funcionário da loja de cimento compre pão na padaria da esquina. É basicamente isso. Vendo um exemplo solto é complicado de entender, mas vamos olhar para todos os empreendimentos milionários do governo. Todo esse dinheiro vai para o bolso da população de uma forma indireta além de beneficiar com uma boa infra estrutura, quando é feita. Lógico que também não podemos deixar de falar sobre a corrupção, ela vem também dessas obras gigantescas. Gastasse na prática 200mil para reformar uma praça, mas para um governador, não sei por que, é 500mil. É o Brasil, meu povo. É por aí.
Outra abordagem sobre a economia pensando em outro assunto: os cinco maiores distribuidores de armas são os EUA, o Reino Unido, a França, a Rússia e a Alemanha, que são também as cinco potências mundiais, as cinco bases nucleares mais importantes e os cinco países que mais e melhores serviços humanitários prestam. Ou seja, estes grandes produzem as armas, contribuindo para o clima de guerra, e depois vão auxiliar os países pelos quais as distribuíram. Acho que há que repensar algumas coisas importantes. É assim que se ganha, que nos tornamos grandes? A atirar o outro às cobras e depois indo lá buscá-lo, débil e fragilizado, fazendo-nos de heróis da pátria? É o mundo, meu povo. É por aí.