
*um mês e um dia da primavera




Minha mãe sempre me disse:
“O bacana da viagem é demora de chegar”.
Eu nunca concordei,
afinal, essa era a parte que eu menos gostava.
Hoje eu a entendo, o destino pouco importa,
o importante é a viagem,
o tempo que dura para chegar,
quem esteve na cadeira ao lado,
se a pessoa lhe ofereceu água durante o percurso,
se conversaram e se valeu a pena viajar com esta tal
pessoa falando bobagens no teu ouvido.
O destino pouco importa mesmo,
se é praia, mar ou verão.
Se caso for neve, gelo, inverno, chuva ou trovão...
Talvez, um lugar onde a primavera habitará,
poderia também ser uma praça regada pelas
folhas do outono.
Tudo isso pouco importa...
Pouco importa mesmo.
O que importa é o caminho.
Nunca falei do destino,
Não prometi ver o mar,
na verdade
não fiz promessas, lembra?
O destino nunca me importou,
o que me movia era o caminho,
era a boa conversa e o bom vinho,
era os domingos, os sábados e os feriados.
O que me brilhava os olhos era
olhar da janela, não do ônibus, mas
da sacada da sua casa e ver você
me espiar ir embora.
O que me fazia ir mais devagar
e diminuir a velocidade da viagem,
e muitas vezes indo a 30km por hora,
era ver você imitando uma criança eu
rindo sem parar daquilo tudo.
Minha oração a Deus, nosso Pai,
era para esticar a estrada, para a
demora continuar e a viagem não acabar.
Porém, toda viagem tem um destino.
Chega um momento em que você decidi,
ou você dar o sinal e desci,
ou fica “sem destino”
e arrisca confiar no motorista.
Jamille C Dias


