
Partindo agora para a teologia, esta que me tira o sono e que me fazer dormir tranqüila. A teologia em si é linda. Algumas pessoas contribuíram para essa minha grande paixão: Philipi Yanchey, Max Lucado, Leonardo Boff. Eu aprendi muitas coisas com eles, aprendi também muitas coisas na bíblia, aprendi o fundamento da vida que é o amar a Deus e ao próximo.
Eu acredito na teologia do amor e que sem ele você não chega a lugar algum. Acredito que um homem carnal (como eu e você) não abominaria seu filho por pior que ele seja e Deus não faria o mesmo, sendo Ele o próprio amor. Acredito sim em um Deus de justiça, acredito sim no Deus de milagres, acredito mais ainda do Deus que continua sendo Deus se o milagre não acontecer. Acredito e amo esse Deus. E prego ele muitas vezes sem falar sobre Ele. Tento pregar amando as pessoas que estão perto de mim. Ouvi e aprendi sobre esse Deus com pessoas que hoje eu tenho um respeito imenso, assistir e escutei pessoas dançarem e cantarem para esse Deus e acreditei mais do que nunca que Ele é realmente o puro amor.
Ligando a teologia à responsabilidade social as pessoas confundem essa tal responsabilidade com a caridade. A responsabilidade social é obrigação de todos, a caridade é feita por aqueles que seguem o cristianismo, mas diria que ela é feita por todas as pessoas que acreditam na teologia do amor, mesmo sem conhecê-la e nunca ter ido a uma igreja.
A teologia me responde e me indaga dia após dia. Mas ela tem algo concreto: Deus é Deus e acabou, mas antes Dele ser Deus, Ele é seu Pai, nosso Pai.
Muitas coisas me fizeram afastar dessa teologia, mas eu não as culpo, talvez a culpa seja mesmo minha, que acreditei demais, iludi demais. Li o manual e me encantei pelo produto, não sabendo que qualquer produto pode ter defeitos. A instituição é algo bacana, é como o SUS na teoria é o melhor plano de saúde, só que na prática...
A teologia da prosperidade me lembra Silvio Santos. O senhor Abravanel, carioca, nascido aos 12 de dezembro de 1930 fez fama e dinheiro, dentre outras coisas, vendendo o tão conhecido Baú da Felicidade: Um carnê de pagamento mensal que recompensava a fidelidade financeira dos seus clientes, com prêmios e mais prêmios. Eram eletrodomésticos, móveis, brinquedos, automóveis e até imóveis. Bastava adquirir o carnê e pagar todos os meses, rigorosamente em dia - como fazia questão de frisar o apresentador - para ter direito aos prêmios. [...] Depois era só passar em uma de suas lojas e trocar o carnê pago por mercadorias. Ficou rico, fez fama e “ajudou” muita gente a realizar o sonho da casa própria.
Hoje em dia, quantos são aqueles que querem fazer do seu carnê de dízimo, um carnê do Baú da Felicidade? Quantos são aqueles que, direcionados por seus líderes, acham que têm algum privilégio diante de Deus só porque pagam em dia a mensalidade? A igreja tem se tornado num clube de investimento, numa espécie de bolsa de valores celestial. Você aplica hoje e amanhã tem rendimentos: Sete vezes mais, cem vezes mais, sei lá quanto; tudo vai depender da sua fé e da sua fidelidade financeira.
Isso me incomoda, mas o que mais me decepciona é saber que a igreja somos nos. E que mais uma vez a culpa é nossa.
“A desgraça chamada de Teologia da Prosperidade é uma das coisas mais demoníacas que já aconteceram à “igreja”; e uma das principais responsáveis por pegar o que restou da Igreja, saqueando-a de suas ultimas purezas, e, assim, tornado-a “igreja”. Afinal, que negócio é mais lucrativo na Terra do que a religião?” disparou Caio Fábio.
Mas volto a repetir a culpa é nossa. Nos somos a igreja.
Mas sabe de uma coisa, é segredo, não conta para ninguém, eu ainda acredito na igreja. Acredito pelas crianças, pelas cestas básicas, pelos projetos beneficentes que fazem as pessoas serem mais dignas, acredito no louvor, na dança, nas orações das senhoras, acredito! Eu ainda acredito nas pessoas, já que elas são a própria igreja. Mas, mais do que isso eu acredito em Deus, o transformador de pessoas... Aquele que naquele que transforma o coração. Aquele que abre os olhos dos que vêem, que cura os que andam. E principalmente aquele que diz: ”ninguém te condenou? Eu também não condeno”. Aquele que muda a vida de pessoas não para elas saírem do “mundo”, mas só para saberem que elas têm um Pai que as ama e que cuida delas mesmo elas nem o conhecendo direito. Nesse Deus eu acredito. Isso é a minha teologia, meu povo. É por aí.
Jamille C Dias






