quarta-feira, 30 de junho de 2010

Natação


“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"

Ninguém nunca vai entender. Doença? Sumiço? Perversão? Falta de caráter?
Eu não entendi, eu não aceitei, eu sentia vergonha e por isso eu respeito cada opinião.
Mas o que me faz descansar foi o Seu olhar. Eu tinha esquecido como Ele era. Pedi para não ver mais esse olhar que me faria voltar atrás em todas as decisões. Esse olhar me faria mudar, como fez em outros momentos, mudar coisas que dependiam de mim. Esse olhar que transforma pessoas.
Pedi para Ele me esquecer para nunca mais me procurar. Ele precisava ficar longe de mim. Eu estava longe de ser quem Ele gostaria que eu fosse. Eu não sabia direito o que eu queria e quem não sabe direito o que quer, sofre até pelo que não quer...Eu tinha muito medo de errar, mas não é errar às vezes é errar em dobro.
Então eu sair do barco e comecei a nadar, “queria” enfrentar a tempestade em alto mar, sozinha, sem ninguém. Eu precisava...
Ou eu atravessava aquele mar ou eu afogava de vez. Mas nem uma coisa nem outra aconteceram.
Eu estava lá nadando, nadando... Indo... Cansada. Chorando, mas ninguém notava as lágrimas, afinal, elas se misturavam com a água do mar.
Para muitas pessoas eu estava brincando, para outras eu estava dando um passeio pelo mar, para tantas outras eu ainda era a aquela de um tempo atrás, então nem precisaram se preocupar.
Acredite ninguém vai para o meio do mar, sem Ele, para brincar, nem muito menos para fazer um passeio, principalmente pessoas, como eu, que não sabem nadar. Quando elas fazem isso tem coisas acontecendo, tem certezas, tem idéias fixas, tem algo. E mesmo aqueles que sabem nadar, não podemos ser hipócritas, é uma tempestade em pleno grande mar.
Pedir para Ele não vim atrás de mim, não porque não acreditava mais Nele. Eu acredito, eu confio muito, eu o amo mais que qualquer coisa. Ele é minha salvação, e quando eu digo salvação, não é porque ele vai me levar para o céu, é porque Ele me faz olhar para o meu irmão com mais amor a cada dia, essa sim é a verdadeira salvação.
Mas naquele momento, e porque não dizer, neste momento, eu estava precisando ir sozinha. Eu precisar enfrentar toda aquela tempestade. Não da para ficar chamando Ele todas as vezes que eu tivesse problemas. Eu estava cansada de chamá-lo para resolver meus pepinos. Eu queria chamá-lo para a festa, para a comemoração.
Uma visita importante você não chama para ajudar na limpeza da casa. Você limpa a casa prepara aquele jantar e liga convidando. Eu quis fazer o mesmo.
Meu quarto era o local do nosso encontro, diariamente, antes de dormir. E por isso tem mais de quatro meses que durmo na sala. Não consigo entrar naquele quarto apenas para dormir, meu violão, que eu mal sei tocar, olha para mim... e eu vou para sala assistir televisão até dormir.
Por enquanto está sendo assim!
Quando você está no meio do mar, se sentindo sozinha, tudo é gigante. Seus problemas são os únicos e os maiores, ninguém nunca passou por isso, só você! Quando você olha para aquela quantidade de água, você não vê terra firme, não ver ninguém... Tudo é com você!
Em alto mar com aquela tempestade você pensa que nada pode acontecer para ficar pior. Engano seu, sempre tem peixes famintos, eu encontrei vários deles no caminho. Digo vários. Quando você está se afogando jacaré é tronco, já diziam os sábios.

Os homens são fáceis de afastar. Basta não nos aproximarmos.
Fernando Pessoa

--
Claro que chega um momento em que a chuva vai embora... Esse momento chegou. Mas você continua em alto mar.
Porém, com uma diferença, com Ele ao seu lado. Ele nunca saiu.
Ele não costuma obedecer minhas ordens.
Ainda bem...
Quando a chuva passa, você abre os olhos, você enxerga melhor. Mas as lágrimas, a tempestade, o medo, a angustia não deixava você ver Ele bem do seu lado.
Neste momento você começa a fazer religião que deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa "religação". Você começa a fazer sua própria religião, a religação com sua Fé e esperança. Porque a fé, neste momento, desapareceu, mas a esperança, que ela poderia voltar, se manteve firme.
Não podemos esquecer que ainda estou em alto mar. Sem chuva, não sei até quando, o tempo por aqui é estranho, um dia faz sol, no outro não. Mas tudo tem seu lado bom, nada se perde. Ou ganha ou aprende.
Em alto mar, você aprende a nadar; aprender a mergulhar de cabeça em todas as ondas que vier lhe derrubar, você ganha todas as estrelas do mar, todas as conchinhas que você brincava quando criança. Ganha liberdade... E digo mais você ganha o mar. E nele, ou você aprende a nadar ou se afoga. Dizem que é brincando com fogo que aprende a não se queimar. Eu digo que é na água que você aprende a nadar.

"Foi para repensar a luz que precisei de tanto quarto escuro."
Rodrigo Faria

Jamille C Dias

Ex-emplo

Começar a trabalhar com 11 anos de idade para ajudar o pai na loja. Pagar sua própria escola com o dinheiro ganho no final do mês: era um bom exemplo a ser seguido. Passar no vestibular no 2º ano. Entrar na igreja e ser transformada em uma pessoa melhor a cada dia. Ajudar nas despesas de casa, dar um dinheiro para sua mãe ir ao salão, pagar uma roupa para irmã mais nova, comprar suas próprias coisas sem precisar pedir dinheiro ao seu pai. Ser um exemplo dentro da igreja, cheia de planos, projetos, sonhos para ajudar o sorriso do próximo eram exemplos. Eram bons exemplos. Ser boazinha, não responder a mãe, ser disponível para as pessoas, acordar de madrugada para cuidar de alguém. Distribuir toddy nos hospitais em pleno sábado à noite. Arrecadar alimentos para dar as necessitados. Eram exemplos a serem seguidos. Sempre acreditei muito numa frase de Albert Schweitzer: “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.”

Sinto-me como se eu tivesse nascido com uma blusa toda suja. E cada aniversário fosse lavando partes dessa blusa. Até que um dia as pessoas olharam e perceberam: “nossa a blusa dela esta ficando branca. Nossa a cada dia a blusa fica mais branca”. Eu lavava, esfregava, passava sabão... Lutava para ela ser branca de verdade. Deixei minha blusa de molho por dias para sair às machas, afinal são 19 anos com a mesma blusa. A cada dia as pessoas elogiavam mais a blusa... Estava de verdade ficando branca. Eu ficava noites sem dormir para todas as manchas saírem. Algumas manchas saíram, outras ficaram amarelas como se fosse uma blusa guardada, eram machas antigas... E por isso amarela, porém não menos importantes.

Nas conversas de minha mãe com minha irmã mais nova, meu nome era citado como um exemplo a seguido. “Não ver sua irmã. Faça como ela”. Para meu pai eu era a melhor filha que um homem pode ter. Minha família me tinha como alguém que não era a melhor pessoa do mundo, mas que tentava ser. Para os amigos eu era a disponibilidade em pessoa. Não era o remédio para a dor, mas sabia o numero da farmácia. Para as pessoas da igreja era alguém próxima de Deus, eles não erraram eu tentava ficar pertinho de Deus, mas quando mais me aproximava mais via as manchas da minha blusa. Deus é luz, claridade. As manchas aparecem logo.

Mas existia uma mancha que nunca saiu. Fiquei noites sem dormir, dias acordada com aquela blusa no balde. Passando sabão, água sanitária. Mas a macha continuava lá. Muitas vezes eu esquecia que ela existia. Nossa passei até anos sem lembrar. Principalmente quando estive ocupada sendo o exemplo de muitos. Aquela mancha era algo que eu poderia conviver sem problemas nenhum. Afinal ela ficava do lado de dentro da blusa ninguém notava. Só eu sabia, pois toda a noite antes de dormir eu tirava a blusa e lá estava ela olhando para mim. Mas no outro dia com ela no corpo eu não lembrava e nem fazia questão de lembrar, pois eu tinha outras manchas e eu lavei a blusa: uma, duas, três vezes e elas saíram, com essa não seria diferente, eu assim acreditava. Na verdade eu esqueci essa mancha por anos. E nem queria lembrar.
Mas foi diferente. A mancha não me incomodava, eu poderia conviver com ela. Mas o fato de todo mundo achar que eu era um exemplo, isso era pior do que a mancha em si. Eu me sentia uma farsa, me sentia um lixo, eu não era nada daquilo que as pessoas diziam. A minha vontade era de tirar aquela blusa e mostrar a mancha que tinha ali atrás. “Ei, eu tenho uma mancha, aqui dentro, ninguém nunca viu, mas ela existe.”

Nunca teria coragem de fazer isso. Chega uma hora se acostuma ser o que os outros acham que você é; olhando por outro lado você se cansa de ser o que você não é. Você se cansa. E foi assim, me cansei. Peguei minha blusa que já estava quase branca e só um mancha do lado de dentro e coloquei ela dentro de um balde de tinta preta, dessas que não sai com qualquer lavada. Eu sabia que no outro dia as pessoas iriam ver a blusa toda suja. Na verdade essa era a intenção. Não queria nada escondido, também não queria ninguém olhasse a blusa e visse suja, eu queria contar que tinha tomado tal decisão. Mas não deu tempo, antes que pudesse criar coragem para dizer qualquer coisa, as pessoas já tinham conversado entre si. Elas que chegaram e falaram: Ei, eu sei que sua blusa agora é preta. Aí eu só fiz afirmar: “É verdade eu coloquei ela num balde de tinta. Obrigada por me lembrar.”

Tinha pessoas que eu queria contar com minha própria boca, pessoas especiais, pessoas que são importantes para mim, mas não deu tempo. Tudo bem. Tem uma frase bacana: "Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar."

Depois que aparece com sua blusa preta você deixa de ser um exemplo em segundos. As coisas boas do seu caráter desaparecem. “Ela é até gente boa, estudiosa, trabalhadora, mas a blusa é preta.” Tudo que você construiu em anos, todos os sonhos, planos, seu próprio caráter desaparece as pessoas deixam de ver seus olhos e passam a enxergar só a cor da sua blusa.
O bacana na frase que eu citei é a ordem: Nunca se explique. Então sem explicações. Sem exemplos. A blusa é preta...

Depois que você coloca sua blusa dentro de um balde de tinta preta, toda frase tem um “mas”.

É, mas...

(...)

É, mas...

Exemplos bons só são os de blusas brancas, de preferência sem manchas. O que eu acho difícil. Como diria o Chico “Todo mundo tem/quem não tem/Procurando bem/Todo mundo tem”. Na verdade eu conheço muita gente de blusa branca nesse mundo. Conheço e me orgulho por ter conhecido. Conheço também pessoas que tem uma blusa preta, mas que por dentro a blusa é branca e mesmo que elas tentem colocar suas blusas no balde de tinta preta, dentro nunca sujou e nunca vai sujar; a blusa quando é branca - é branca.

Hoje o que me deixa mais triste é quando as pessoas me olham e vêem a cor da minha blusa falam: “Eu aprendi a lavar minha blusa com você, porque você manchou a sua?” É como se só com uma blusa branca você servisse, só com a blusa branca você entra aqui, só quero você com a blusa branca.

Ninguém percebe que a blusa é um detalhe de quem sou eu. Existe a calça, o sapato, os acessórios. Estou amando isso, pelo menos agora quem quiser ficar perto, vai ficar pela essência, pois sabem: a blusa é preta.

Antes quando pequena, eu tinha uma blusa cheia de manchas, que com o tempo fui lavando e tirando todas. Mas hoje não sei se quero passar por tudo aquilo novamente... Lavar todos os dias a blusa. Não tenho nem forças e nem coragem. Não nesse momento. A blusa vai ficar preta pelo menos por um tempo.

Então a historinha termina assim:

Eu era um exemplo, mas...
Jamille C Dias

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O que seria?


O que seria da tua beleza
se eu fechasse os meus olhos para você?
Do que adiantaria essa tua ideologia
se a tua própria liberdade se
transformasse em opressão?
Tico

Me sinto tão estranho aqui
Que mal posso me mexer, irmão
No meio dessa confusão
Não consigo encontrar ninguém
,Tico Santa Cruz

E nada do que digam vai
mudar o que pensamos, deixa estar
E agora vamos, já chegou
,Tico Santa Cruz

sábado, 26 de junho de 2010

Desabafei.

'É difícil me iludi, porque não costumo esperar muito
de ninguém. Odeio dois beijinhos,
aperto de mão, tumulto, calor,
gente burra e quem não sabe mentir
direito. Não puxo saco de
ninguém, detesto que puxem meu saco também.
Não faço amizades por
conveniência, não sei rir se não estou achando
graça, não atendo o
telefone se não estou com vontade de conversar. '
Caio F. Abreu


Queria não esperar nada das pessoas.
Não consigo, sempre espero.
Sou sempre bem gente boa e quando não sou
eu mesma me acho estranha.
Esses são os versos mais contrários a mim mesma
que Caio escreveu.
Ele é passa uma idéia de independencia que eu
ainda não aprendir a ter.
Ultimamente tenho bebido muito, beber mesmo de
chegar em casa em silêncio para ninguém me ver.
Tenho lido muito Caio Fernando Abreu, escutado
Cazuza. Sei que isso é uma fase, que vai logo passar...
Mas já se passaram mais quatro meses.
Meses de bebedeira, noitadas e muita tristeza...
Nada passou. Antes eu bebia pelas dúvidas,
agora eu bebo pela possibilidade de certeza.
E, provavelmente, amanhã eu vou beber por outro motivo.
É eu estou assim...

Uni duni tê, salamê minguê

Parece comercial de carro novo, mas não é.A vida está aí. Uns acham que ela é uma grande casa que se deve cuidar, zelar, conservar. Outros acham que ela é uma estante enorme onde as coisas estão dispostas de forma livre: pega o que se quer e, quando não se quer mais simplesmente se joga fora.Para uns, tudo deve ser pensado: ação e conseqüência.Para outros, o que vale é o momento. O que importa é a aventura. O fato, amigos, é que hoje tudo é descartável, de papel a sentimentos. Ninguém sabe ao certo para onde ir, e vão mesmo assim, no embalo das músicas de letras nuas, nas festas onde se serve canapés e camisinhas na mesma bandeja. O amanhã é só um careta a mais para driblar (ou ignorar).


Estou na moda. Eu trabalho e ganho meu dinheiro (não importa como). Moro sozinha e pago minhas contas (exceto quando aperta e ligo para minha mãe). Sou influente e bonita (e uso isso com muito afinco). Tenho um carro (ah, isso faz toda diferença). Estou nas melhores baladas (sempre ostentando meu poder aquisitivo – mesmo que de fachada). Eu pego todas (ou pelo menos eu dou atenção a todas, afinal, uma sementinha plantada em cada canto é plantação garantida em épocas de estiagem). E o melhor: eu namoro e amo enlouquecidamente (mesmo que por algumas horas). O que as pessoas são para mim? Ah, lembram daquela estante?


Sou fã dela. Este texto tinha que vim para o blog. http://bianahm.blogspot.com/

sexta-feira, 25 de junho de 2010

É mais que estampa
É um belo samba
Que ainda está por vir....
Bobagem, Céu

Ser diferente faz toda a diferença.




Nunca vi Prendam-me se for capaz
(eu sei que você vai pensar: 'Como assim? todo mundo já viu!').
Gosto de açaí sem calda,
ao invés de calda chocolate e morango.
Não tenho a mínima vontade de conhecer Paris e Milão.
Quero visitar o Havaí, a Indonésia, mas primeiramente,
o Chile. Bebo café como se fosse uma adulta.

Prefiro frio para ficar em casa do que o calor para ir para praia.
Ouço de Calypso à Luan Santana, MPB, funk, axé, pop rock, só pop, só rock..
Não odeio fila. Não tomei a vacina H1N1. Ao contrário da maioria das mulheres,
gosto mais de azul do que de rosa,converso mais com meu pai do que minha mãe,
prefiro o hidratande de baunilha, não quero casar de véu e grinalda na Igreja,
quero casar na praia de havaianas; prefiro absorvente sem abas e só sinto
cólica quando não tô de TPM. Só como macarrão quando não tenho muita opção.
Prefiro mil vezes um tênis do que um salto.
Adoro dormir no chão. Acho mó graça no Titirica.
Todo mundo tem coleção de algo importante: eu tenho de meias.
Faço economia. E acho que ser diferente é normal.
"Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

A alguns deles não procuro,
basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente
pela vida! Mas é delicioso que eu saiba e sinta que eu os adoro,

embora não declare e não os procure sempre." Vinícius de Moraes


Amor. Bolinhas de sabão. O som de copos com água.
O som das gotas no chão. Um sorriso tímido.
A música por trás dos ruídos. Um coração encostado no outro.
Um ou dois para sempres. Um avião nas mãos de um menino.
Um barquinho de papel. Uma pipa atravessando as nuvens.
Uma sementeira de girassóis. Um chocolate quente.
Um par de meias listradas. Dois ou três cata-ventos.
Uma palavra inventada.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.

Clarice Lispector



(está é a frase mais show de todas)